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ESG e o combate ao desperdício no setor supermercadista

  • Writer: Clilson Filippetti
    Clilson Filippetti
  • 1 day ago
  • 12 min read

Desde 2020, estudo e escrevo sobre o tema ESG (Environmental, Social, and Governance) que vem se intensificando a cada dia, refletindo uma mudança estrutural na forma como o valor corporativo é percebido e mensurado. Em 2022, o Brasil vivenciou um "boom" de interesse pelo tema, momento em que publiquei meu artigo “ESG - Environmental, Social and Corporate Governance” explorando as origens históricas e a importância estratégica dessa sigla para a sobrevivência das organizações.


Contudo, o cenário atual exige uma análise que transcenda a superfície. Neste artigo, exploraremos o ESG muito além do combate ao desperdício, conectando-o à cultura organizacional, à governança de alto nível e às novas dinâmicas globais.


Esta reflexão é fruto de uma jornada de observação e estudo, que incluiu um período sabático nos Estados Unidos, durante o qual analisei empresas longevas e bem-sucedidas em diferentes segmentos. Entre elas, redes de supermercados como Roche Bros., Wegmans, Star Market (do grupo Albertsons) e Whole Foods Market (da Amazon), além de distribuidores de alimentos como Gordon Food Service e Baldor Specialty Foods. A análise também se estendeu a fabricantes de artigos esportivos, como Converse (da Nike), Patagonia, New Balance, Adidas, Puma e On Running, bem como varejistas como Dick’s Sporting Goods, Lululemon e UNIQLO. Também foram observadas marcas de luxo e serviços, como Montblanc, Tiffany & Co. e a rede de óticas Warby Parker.


O que essas organizações compartilham é a aplicação rigorosa de frameworks de ESG em sua cultura. No setor supermercadista, essa preocupação manifesta-se claramente no combate ao desperdício de alimentos — um desafio operacional, ético e econômico de magnitude crítica. No Brasil, o varejo alimentar opera em uma encruzilhada de pressões: a necessidade de garantir a segurança alimentar de uma população crescente e o imperativo de mitigar seu impacto ecológico.


A urgência da sustentabilidade e o custo da ineficiência


O desperdício de alimentos é um dos paradoxos mais cruéis da modernidade. Globalmente, cerca de um terço de toda a produção para consumo humano é perdida ou desperdiçada. No Brasil, estima-se que esse desperdício gere perdas anuais superiores a R$ 70 bilhões, com o varejo sendo um dos elos mais visíveis dessa ineficiência, especialmente nas categorias de perecíveis (frutas, legumes, verduras e proteínas).


Nesse contexto, o framework ESG deixou de ser um jargão para se tornar um pilar estratégico. A sustentabilidade, elevada à categoria de princípio fundamental pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em sua 6ª edição do Código das Melhores Práticas (2023), é agora compreendida como um vetor de perenidade.


Para os supermercados, a agenda ESG afeta diretamente a lucratividade, o acesso a capital e a licença social para operar. A negligência a esses princípios acarreta riscos tangíveis; investidores utilizam "listas de exclusão" para penalizar empresas com práticas inadequadas, transformando a falta de governança em um passivo financeiro imediato.


O impacto das perdas no balanço financeiro no setor supermercadista


Para compreender a magnitude do problema, é necessário analisar como as perdas impactam a última linha do balanço. Em um setor onde a margem líquida média oscila entre 1% e 3%, uma redução de apenas 0,5% no índice de perdas pode representar um aumento significativo na lucratividade final. O desperdício não é apenas uma falha ética; é uma ineficiência operacional que consome recursos preciosos, desde o custo de aquisição do produto até os gastos com logística, energia e mão de obra.


Além disso, o custo do descarte é crescente. Regulamentações ambientais mais rigorosas e a pressão por aterros sanitários saturados elevam as taxas de gestão de resíduos. Portanto, o combate ao desperdício é, antes de tudo, uma estratégia de eficiência econômica. Empresas que dominam a gestão de estoques e implementam tecnologias de previsão de demanda baseadas em inteligência artificial conseguem não apenas reduzir o desperdício, mas também otimizar seu capital de giro.


A dimensão social do desperdício


Além do impacto financeiro, o desperdício de alimentos possui uma dimensão social profunda. Em um país onde a insegurança alimentar ainda atinge milhões de pessoas, o descarte de alimentos próprios para o consumo é moralmente indefensável. O pilar "S" do ESG exige que as empresas desenvolvam canais eficientes de doação.


Parcerias com bancos de alimentos e ONGs não são apenas atos de caridade, mas componentes essenciais de uma estratégia de responsabilidade social que fortalece a marca e gera valor para a comunidade.


A governança como alicerce: Os pilares do IBGC aplicados ao varejo


A implementação eficaz de uma agenda ESG depende de uma estrutura de governança madura. O IBGC consolidou cinco princípios que devem nortear as organizações: Integridade, Transparência, Equidade, Responsabilização (Accountability) e Sustentabilidade. A inclusão da Sustentabilidade como pilar autônomo sinaliza que ela não é mais um apêndice, mas parte integrante da estratégia de geração de valor.

 

Pilar do IBGC

Aplicação no Combate ao Desperdício no Supermercado

Detalhamento Técnico e Operacional

Integridade

Estabelecer uma cultura ética que rejeita o desperdício.

Implementação de códigos de conduta que priorizam a doação segura sobre o descarte deliberado.

Transparência

Divulgar dados claros sobre perdas e metas de redução.

Publicação de relatórios de sustentabilidade auditados por terceiros, seguindo padrões GRI (Global Reporting Initiative)  ou SASB (Sustainability Accounting Standards Board)

Equidade

Tratar de forma justa todos os stakeholders da cadeia.

Desenvolvimento de fornecedores locais e pequenos produtores, garantindo prazos de pagamento justos.

Responsabilização

Assumir a responsabilidade pelas externalidades negativas.

Vinculação de bônus de executivos a metas de redução de desperdício e pegada de carbono.

Sustentabilidade

Zelar pela viabilidade considerando múltiplos capitais.

Investimento em infraestrutura de frio eficiente e sistemas de economia circular (compostagem/biogás).

 

Wanderlei Passarela, referência em governança, reforça que o ESG deve ser a busca por uma relação harmônica da empresa com seu entorno. No varejo, o papel do conselho é crucial para garantir que a sustentabilidade seja vista como investimento em eficiência e inovação. A governança atua como o "G" que sustenta o "E" e o "S", garantindo que as políticas não sejam apenas discursos de marketing, mas práticas enraizadas na operação diária.


A evolução do papel do conselheiro


O conselheiro moderno não pode mais se limitar à análise de demonstrativos financeiros. Ele deve ser um guardião da estratégia de longo prazo, o que inclui a gestão de riscos não financeiros. No varejo alimentar, isso significa entender profundamente a cadeia de suprimentos, os riscos climáticos que afetam a produção agrícola e as mudanças no comportamento do consumidor, que cada vez mais exige transparência e ética. A governança corporativa, portanto, evolui de um modelo de conformidade para um modelo de criação de valor sustentável.


ESG na prática: Estratégias e diferenciais competitivos


A teoria da governança ganha vida na execução. Redes internacionais e nacionais têm utilizado o ESG para criar valor e diferenciação.

 

O desafio da perenidade no varejo alimentar


Empresas centenárias demonstram que a longevidade está ligada à adaptação às demandas sociais:


Walmart: Com o "Projeto Gigaton", visa eliminar um bilhão de toneladas de emissões até 2030. No combate ao desperdício, utiliza rastreabilidade via blockchain para monitorar a vida útil dos produtos em tempo real, permitindo ajustes dinâmicos de preço antes que o produto perca a validade.

 

Kroger: Através do plano "Zero Hunger | Zero Waste" (Fome Zero | Desperdício Zero), utiliza tecnologia de infravermelho para identificar alimentos próximos ao vencimento, direcionando-os para venda com desconto ou doação. A empresa também investe em fundos de inovação para apoiar startups que combatem o desperdício.

 

Whole Foods Market (Amazon): Mantém rigorosos padrões de qualidade e rastreabilidade, utilizando algoritmos de aprendizado de máquina da Amazon para prever a demanda com precisão cirúrgica, reduzindo o excesso de estoque e garantindo que o frescor seja o principal diferencial competitivo.

 

O cenário brasileiro: Inovação e impacto


No Brasil, o combate ao desperdício tem sido um campo fértil para a inovação, com resultados expressivos em 2024 e 2025:

 

Empresa

Iniciativa ESG Chave

Resultados Observados (2024-2025)

GPA (Pão de Açúcar)

Parceria com a foodtech Food To Save.

Crescimento de 271% na parceria em 2025; milhares de toneladas de alimentos salvos via "sacolas surpresa".

Carrefour Brasil

Lojas-piloto "Desperdício Zero" em SP e CE.

100% de resíduos orgânicos compostados; redução drástica no envio para aterros e apoio ao Pacto Contra a Fome.

Assaí Atacadista

Foco em descarbonização e eficiência operacional.

Redução de custos de energia via I-RECs (International Renewable Energy Certificate) e otimização logística de grandes volumes, reduzindo perdas no transporte.

 

Além das grandes redes, supermercados regionais demonstram a aplicabilidade do ESG em diferentes escalas:


Zona Sul (RJ): Foco em eficiência energética e parcerias com bancos de alimentos locais, fortalecendo o vínculo com a comunidade carioca e reduzindo custos operacionais.

 

Oba Hortifruti (SP): Forte atuação com fornecedores locais e orgânicos, reduzindo a pegada de carbono logística e garantindo frescor superior, o que diminui naturalmente as perdas no PDV.

 

Hirota Food (SP): Projetos de gestão de resíduos e programas de treinamento para colaboradores, focando na cultura do "não desperdício" e na valorização do capital humano.

 

St. Marche (SP/RJ): Seleção rigorosa de fornecedores artesanais e educação nutricional, elevando o padrão de consumo consciente e fidelizando clientes de alto valor.

 

Super Nosso (MG): Governança regional focada em qualidade e apoio ao produtor local, integrando a cadeia produtiva mineira e garantindo a perenidade do negócio regional.

 

Muffato (PR): Investimentos em logística sustentável e tratamento de resíduos, utilizando tecnologia para monitorar frotas e reduzir emissões, além de programas sociais robustos.

 

Angeloni (SC): Políticas de compras responsáveis e gestão de recursos naturais, sendo referência em sustentabilidade no Sul do país e atraindo talentos engajados.

 

Zaffari (RS): Governança estruturada com forte atuação filantrópica e eficiência energética, mantendo a tradição de qualidade com responsabilidade social e ambiental.

 

Da governança corporativa à resiliência geopolítica do novo ESG 2.0


A guerra na Ucrânia, que forçou a Europa a reconsiderar sua dependência do gás russo e a reativar usinas a carvão, e as tensões entre EUA e China e mais recentemente os conflitos no Oriente Médio, são exemplos de como a geopolítica pode se sobrepor às metas ambientais de curto prazo.


Enquanto o ESG tradicional se consolidava, um novo paradigma emergiu para refletir a realpolitik global. Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS, cunhou o termo "ESG 2.0", cujos pilares são economia, segurança e geopolítica. Esta tese não propõe o abandono do modelo tradicional, mas uma recontextualização pragmática necessária para um mundo em constante ebulição.


O ESG 1.0 (Ambiental, Social e Governança) foca no "como" a empresa opera. O ESG 2.0 foca no "onde" e em que condições ela pode operar em um mundo fragmentado por tensões geopolíticas e rupturas nas cadeias de suprimentos.

Os pilares do ESG 2.0 e sua relevância para o varejo


  • Economia (E): Enfatiza a viabilidade financeira. Em crises, a manutenção de empregos e a estabilidade operacional podem preceder investimentos verdes de longo retorno. A sustentabilidade econômica é a base para qualquer outra ação; “sem lucro”, não há investimento em impacto social ou ambiental. No varejo, isso se traduz em uma gestão de custos implacável e na busca por eficiência operacional máxima.



  • Security (S): Refere-se à resiliência das cadeias de suprimentos (supply chain). A pandemia e conflitos globais expuseram a vulnerabilidade de depender de fornecedores únicos ou distantes. Inclui cibersegurança e, crucialmente para o varejo, a “segurança alimentar”. Garantir que as prateleiras estejam cheias com produtos seguros e de qualidade é o pilar de segurança do supermercado moderno.


  • Geopolítica (G): Analisa riscos decorrentes de relações de poder entre nações. Sanções, guerras comerciais e formação de blocos impactam diretamente os custos de importação como vinhos, azeites, bacalhau etc e a disponibilidade de insumos básicos como fertilizantes, que afetam o preço final dos alimentos.

 

Impactos no varejo alimentar nacional: Oportunidades e riscos


A aplicação do ESG 2.0 exige que os executivos recalibrem suas estratégias. O combate ao desperdício, por exemplo, passa a ser justificado não apenas pelo benefício ambiental, mas como uma estratégia de segurança alimentar e eficiência econômica.


Nesse cenário, conceitos como “Near-shoring” (produção próxima ao consumo) e “Friendly-shoring” (comércio com nações aliadas) frequentemente citados nas palestras por Paulo Guedes tornam-se vitais. Segundo o ex-ministro, o mundo busca segurança após a ruptura de cadeias produtivas, e o Brasil se enquadra nessa nova rota por ser um local "perto e confiável" (near and friendly), especialmente para investimentos em sustentabilidade, o que ele também chamou de greenshoring.


Com sua matriz energética majoritariamente limpa, o Brasil beneficia-se do chamado greenshoring. Segundo Paulo Guedes, cerca de 85% da matriz energética do país é composta por fontes limpas, o que posiciona o Brasil como um parceiro confiável e sustentável para o mundo.


Para o supermercado brasileiro, isso significa priorizar o fornecedor nacional e regional, reduzindo a exposição a choques externos e fortalecendo a economia local.


Desafios práticos e a recalibração da governança


A transição para o ESG 2.0 impõe desafios distintos ao varejo brasileiro, exigindo uma nova mentalidade dos gestores e conselheiros:

 

1     Gestão de margens:  O desafio é manter a viabilidade financeira em um cenário de alta volatilidade de preços (juros altos). O combate ao desperdício é a ferramenta mais direta para proteger margens estreitas, transformando perda em lucro potencial e garantindo preços competitivos para o consumidor.

 

2     Vulnerabilidade logística: Migrar da lógica de “Just-in-Time” (eficiência máxima) para “Just-in-Case” (segurança máxima). Isso exige maior diversificação de fornecedores e estoques estratégicos, elevando custos que precisam ser geridos com inteligência, tecnologia e parcerias colaborativas.

 

3     Cibersegurança e dados: Com a digitalização acelerada do varejo, com e-commerce, apps de fidelidade e pagamentos digitais etc., ataques cibernéticos motivados por tensões geopolíticas são ameaças reais à continuidade do negócio e à privacidade dos clientes. A segurança da informação torna-se um pilar crítico da governança.

 

4     Capacitação do conselho: Há uma carência de conselheiros com formação em análise de risco macroeconômico e geopolítico voltada ao varejo. O conselho moderno precisa entender tanto de pegada de carbono quanto de taxas alfandegárias, riscos de conflitos internacionais e tendências de comércio global.


O papel estratégico do conselho


A jornada do ESG converge para o conselho de administração ou consultivo. É nesta arena que a visão estratégica é definida e a supervisão exercida. O conselho tem a responsabilidade fiduciária de transformar desafios em vantagens competitivas através de três frentes fundamentais:


Definição de políticas e metas estratégicas claras - O conselho deve ir além de declarações de propósito e estabelecer políticas ESG robustas, com metas quantitativas e prazos definidos. No combate ao desperdício, isso significa aprovar KPIs como a taxa de recirculação de resíduos, o percentual de alimentos doados sobre o total de excedentes e as metas de redução de perdas por categoria de produto.


Accountability e monitoramento rigoroso - A governança eficaz exige um acompanhamento constante. Comitês de sustentabilidade ou de estratégia, assessorando o conselho, são estruturas essenciais para monitorar o progresso. A remuneração dos executivos deve estar, em parte, atrelada a esses indicadores, criando um alinhamento claro entre a performance de sustentabilidade e os incentivos financeiros.


Visão de longo prazo e alocação de capital - Em um setor pressionado por resultados trimestrais, cabe ao conselho garantir que “as decisões de curto prazo não comprometam a perenidade do negócio”. Isso implica aprovar investimentos em tecnologia, inovação e infraestrutura que, embora possam não ter um retorno imediato, são cruciais para a resiliência da empresa frente às mudanças climáticas e geopolíticas.


A tecnologia como catalisadora do ESG no varejo


Não se pode falar em combate ao desperdício sem mencionar a revolução tecnológica. O uso de Inteligência Artificial (IA) e Big Data permite uma precisão sem precedentes na gestão de estoques.


Algoritmos preditivos analisam o comportamento do consumidor, condições climáticas e eventos sazonais para ajustar as compras de perecíveis, minimizando o excesso que fatalmente se tornaria desperdício.


Além disso, a rastreabilidade via blockchain garante a transparência exigida pelo pilar "G" da governança. “O consumidor moderno quer saber de onde vem o alimento, como foi produzido e se houve ética em toda a cadeia”. Supermercados que oferecem essa transparência conquistam a lealdade de um público cada vez mais consciente e disposto a pagar um prêmio por produtos sustentáveis.


A tecnologia na cadeia de frio


Outra tecnologia vital é a IoT (Internet of Things) aplicada à cadeia de frio. Sensores inteligentes monitoram a temperatura e a umidade de refrigeradores e caminhões em tempo real. Qualquer desvio é reportado instantaneamente, permitindo ações corretivas antes que a carga seja perdida. Isso reduz drasticamente o desperdício de proteínas e laticínios, categorias de alto valor agregado e grande impacto ambiental.


ESG e o futuro do varejo alimentar


O futuro do varejo alimentar será definido pela capacidade de integração. O ESG não pode ser um departamento isolado. Ele deve permear todas as áreas, do RH ao Comercial, da Logística ao Marketing. A sustentabilidade deve ser o filtro através do qual todas as decisões de negócio são passadas.


A transição para uma economia circular, onde o resíduo de uma loja se torna o insumo de outra indústria (como a produção de biogás ou fertilizantes orgânicos), é o próximo passo lógico. “Supermercados deixarão de ser apenas pontos de venda para se tornarem hubs de sustentabilidade urbana, conectando produtores, consumidores e soluções ambientais”.


O consumidor como parceiro na jornada


Finalmente, o sucesso da agenda ESG depende do engajamento do consumidor. Supermercados têm o papel de educar seus clientes sobre o consumo consciente, a importância de comprar produtos "imperfeitos" e o impacto de suas escolhas. Ao transformar o cliente em um parceiro na luta contra o desperdício, o varejo fortalece sua licença social para operar e constrói uma marca verdadeiramente resiliente.


A cultura organizacional e o engajamento dos colaboradores


Nenhuma estratégia ESG sobrevive sem o engajamento genuíno dos colaboradores na ponta. O repositor, o açougueiro e o operador de caixa são os verdadeiros agentes do combate ao desperdício. Programas de treinamento que explicam o "porquê" das metas de sustentabilidade, aliados a incentivos por redução de perdas, criam uma cultura de dono que é o diferencial das empresas longevas. O ESG, portanto, começa de dentro para fora.


Por fim, o combate ao desperdício no setor supermercadista brasileiro é um microcosmo dos desafios globais do século XXI. Impulsionada por uma governança sólida fundamentada nos princípios do IBGC, a luta contra as perdas transcende a responsabilidade ambiental, tornando-se um pilar de eficiência operacional, justiça social e fortalecimento da marca.


A introdução do paradigma de economia, segurança e geopolítica de Marcos Troyjo adiciona uma camada de realismo estratégico necessária, forçando o setor a pensar em resiliência de forma ampla, protegendo suas cadeias de suprimentos e se antecipando a choques globais. No final, a capacidade de uma empresa de varejo alimentar de prosperar de forma perene dependerá da habilidade de sua liderança em navegar essa complexa intersecção entre o idealismo ético e o pragmatismo econômico. Ao reduzir o desperdício em suas gôndolas, a empresa não está apenas salvando alimentos; ela está construindo um negócio mais robusto, seguro e preparado para o futuro.


Fique bem e até o próximo artigo, no qual abordarei o tema: Proteção de Margem e Eficiência Operacional.



 
 
 

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