NRF 2026: O legado de Ed Stack: a estratégia da Dick’s Sporting Goods que redefiniu o varejo global
- Clilson Filippetti

- Jan 5
- 5 min read
Updated: Jan 7
Em meu período sabático, no início de 2024, visitei várias lojas, e uma delas foi a Dick’s Sporting Goods, localizada na 760 Boylston Street — ao lado do famoso prédio do Prudential Center. A unidade havia sido inaugurada poucos meses antes da minha visita.
Para quem quiser saber mais detalhes sobre a visita que fiz à loja, clique aqui (como relatei no texto, eu — assim como muitos — não conhecia a rede de lojas Dick’s Sporting Goods).
Edward W. Stack, presidente executivo e ex-CEO da Dick’s Sporting Goods, é uma figura que transcendeu o papel de varejista para se tornar um verdadeiro arquiteto de ecossistemas no setor esportivo. Sua notável trajetória, que transformou uma pequena loja em uma potência global, foi recentemente coroada com o prêmio The Visionary 2024, concedido pela National Retail Federation (NRF).
A ascensão de um império: de loja familiar a potência global
A história de Ed W. Stack é inseparável da Dick’s Sporting Goods. Ao assumir o negócio fundado por seu pai, em 1984, Stack iniciou uma jornada de crescimento que priorizou a escala e, mais recentemente, a experiência do cliente. Sua visão se consolidou em um modelo que combina o domínio do varejo tradicional — o que ele chama de “Varejo 101”, focado em gestão de estoque e excelência operacional — com inovação digital e física. Sua grande realização reside na compreensão de que “a loja física não é apenas um ponto de venda, mas um centro de engajamento e mídia”.
Estratégias da Dick’s Sporting Goods para 2026
A estratégia de crescimento da Dick’s Sporting Goods, que será o ponto central da fala de Stack na NRF 2026, oferece um blueprint analítico e prático para empresas em mercados emergentes. Stack tem uma visão clara para os próximos anos, fundamentada em execução operacional e no aproveitamento de grandes eventos globais.
Recentemente, a Dick’s Sporting Goods adquiriu a Foot Locker, e Stack estabeleceu 2026 como o ano em que a operação se tornará plenamente lucrativa e integrada. Sua estratégia imediata é eliminar estoques antigos e improdutivos para iniciar 2026 com uma base limpa. Ele enfatiza ainda a importância do retorno aos fundamentos: melhoria contínua no layout das lojas, foco em produtos diferenciados e excelência operacional.
Copa do Mundo FIFA 2026
Stack prevê que a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, será “o maior momento esportivo que este país já viu”. Ele está posicionando a Dick’s Sporting Goods para se tornar o centro dessa demanda, prevendo um aumento expressivo no interesse por futebol e por artigos esportivos em geral.
Stack acredita que o evento criará uma nova geração de consumidores ativos, sustentando o crescimento do setor por anos após o torneio.
Lojas como experiência
O futuro do varejo físico, segundo Stack, não é apenas vender produtos, mas oferecer experiências. A Dick’s Sporting Goods planeja abrir entre 75 e 100 lojas no formato House of Sport até 2027. São lojas de grande porte, com paredes de escalada, campos de treinamento e áreas de teste de produtos. Como ele defende, “a loja física deve ser um local onde o cliente vive a marca — algo que o digital não consegue replicar”.
O ecossistema de alta margem
O verdadeiro diferencial da Dick’s Sporting Goods — e o ponto de maior interesse para o mercado — é a criação de novas fontes de receita com margens elevadas, que a distanciam de um modelo puramente transacional.
A empresa transformou o GameChanger — tema central da NRF 2025 —, um aplicativo de gestão de ligas e times juvenis, em um negócio de Software as a Service (SaaS) altamente lucrativo, gerando mais de US$ 100 milhões em receita recorrente. Essa plataforma não apenas gera receita direta, mas também fornece dados valiosos sobre o “atleta do futuro”.
Além disso, a empresa monetiza sua audiência por meio do Retail Media Network, vendendo publicidade direcionada para grandes marcas esportivas dentro de suas plataformas. Trata-se de uma fonte de receita de alta margem, que se beneficia dos dados de milhões de clientes.
As marcas próprias da Dick’s Sporting Goods, como CALIA e VRST, também são cruciais. Elas competem em design e tecnologia com marcas nacionais, mas oferecem margens significativamente superiores, chegando a representar de 7% a 9% de margem adicional em relação às marcas de terceiros.
A Dick’s Sporting Goods sob a lente da NRF 2026
De acordo com a NRF 2026, o varejo do futuro será analisado a partir de seis pilares: Inteligência Artificial, Experiência, Sustentabilidade, Supply Chain, Fator Humano e Novos Modelos. Na percepção do consumidor, a Dick’s Sporting Goods se destaca de forma predominante em dois deles: Experiência e Fator Humano.
O domínio da experiência
Para o consumidor, a Dick’s Sporting Goods não é apenas um local de compra, mas um destino. O pilar da Experiência é o mais visível e impactante. Por meio do formato House of Sport, a empresa resolveu a maior dor do varejo físico: a irrelevância frente ao digital. O consumidor passa a enxergar a Dick’s Sporting Goods como um espaço de “entretenimento esportivo”, onde a experimentação técnica — como testar um taco de golfe ou escalar uma parede — valida a compra e cria uma memória afetiva com a marca.
O diferencial do fator humano
Embora a tecnologia (IA) e a logística (Supply Chain) sejam fundamentais nos bastidores, o consumidor percebe a Dick’s Sporting Goods principalmente por meio do Fator Humano. Ed Stack sempre enfatizou que o varejo é um “esporte de equipe”. O atendimento especializado, de “atletas para atletas”, cria uma camada de confiança que a IA ainda não consegue replicar plenamente. O consumidor valoriza o conhecimento técnico dos funcionários, que atuam como consultores, elevando a Dick’s Sporting Goods acima de varejistas de massa, onde o autoatendimento é a norma.
Novos modelos e IA
Os pilares de Novos Modelos, como o SaaS do GameChanger, e de IA — utilizada para personalização e otimização de preços — são percebidos pelo consumidor de forma indireta, por meio de uma jornada de compra mais fluida e de ofertas mais relevantes. Já Sustentabilidade e Supply Chain são vistos como aspectos “operacionais”: o consumidor espera que o produto esteja disponível e que a empresa seja ética, mas são a Experiência e o Fator Humano que efetivamente o fazem escolher a Dick’s Sporting Goods em detrimento da concorrência.
Prováveis desafios para os próximos anos, segundo Edward W. Stack
1. Complexidade do varejo — Stack alerta que muitos subestimam a complexidade do setor. O sucesso exige domínio total da cadeia de suprimentos e dos dados.
2. Ecossistema digital — Por meio do aplicativo GameChanger, a Dick’s Sporting Goods conecta cerca de 9 milhões de jovens atletas, criando uma rede de mídia e fidelidade que vai além da venda direta.
3. Parcerias de marca — Stack defende relações profundas com marcas líderes (como a Nike) e a introdução de marcas emergentes (como a Gymshark) para manter o sortimento sempre relevante.
4. Trabalho em equipe — Um de seus lemas centrais é que o varejo moderno é um “esporte de equipe”, no qual a experiência do funcionário reflete diretamente na experiência do cliente.
Ed Stack projeta um varejo em 2026 híbrido, experiencial e altamente operacional. Ele não enxerga o fim das lojas físicas, mas sua transformação em centros de comunidade e entretenimento, impulsionados por grandes eventos culturais e esportivos.
Sua aposta na Foot Locker e na Copa do Mundo de 2026 demonstra uma confiança sólida no crescimento do mercado de lifestyle esportivo nos próximos anos.
Deixe sua opinião: Qual pilar adotado pela Dick´s faz mas sentido para o seu negócio ?
Fiquem bem e até o próximo artigo!
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