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Qual a conexão entre ansiedade e ambiente de trabalho ?

  • Writer: Clilson Filippetti
    Clilson Filippetti
  • Mar 3, 2023
  • 6 min read

“Não deixe a ansiedade atrapalhar o seu planejamento”

Clilson Filippetti


Ontem até de uma forma despretensiosa escrevi e postei em minhas redes sociais um texto sobre o meu cotidiano, a minha disciplina em ler, querer aprender “lifelong learning” e no post a frase “Não deixe a ansiedade atrapalhar o seu planejamento”, que sempre utilizo quando estou desenvolvendo algum trabalho consultivo e encontro um clima tenso de muita ansiedade junto aos executivos. Nesse texto, refiro-me na pratica como a ansiedade atrapalha o nosso dia-a-dia e, após receber (no privado) algumas críticas (aceito de boa) mas também alguns comentários positivos de pessoas que trabalharam comigo nesses anos e comentaram informalmente como realmente a ansiedade atrapalha principalmente quando está na liderança e muitas vezes nos acionistas/sócios das empresas.


Importante, a partir desse ponto, descreverei sobre o meu habitat profissional, o mundo corporativo, pois outras profissões como médicos, pilotos de aeronaves etc também vivem nesse ambiente de ansiedade.


No post de ontem, também comentei sobre como os acionistas/sócios influenciam no DNA da empresa podendo ser positivamente ou negativamente, mas neste material que estou escrevendo, abordarei sobre a pressão recebia de um modo geral dentro das empresas, na média gerencia e seus colaboradores diretamente envolvidos nos resultados das empresa, não entrarei no detalhe de como foi realizado o Plano de Negócios nem caberia aqui, mas havendo cobranças desnecessárias, provavelmente deva haver falhas, pois um bom Plano de Negócios que tenha o engajamento de todo o time e todos os colaboradores devem saber o que tem que ser feito ( exceções, deverão ser tratadas como exceções quando aparecerem ) , talvez daí venha a pressão desnecessária junto a equipe e portanto quando o Planejamento / Business Plan é bem estruturado, bem feito, sabemos claramente o que deve ser feito, não permitam que a ansiedade atrapalhe, isso acontecendo poderá comprometer todo trabalho de anos em poucos meses.


Para entrarmos nesse tema, faz-se necessário entender que a ansiedade é uma reação normal do corpo, frente a situações de risco ou tomadas de decisões compreendidas como complexas, mas para altos executivos que exercem cargos de liderança, que são obrigados a absorver toda essa pressão por resultados e que pressionam muitas vezes suas equipes por resultados inatingíveis e dependendo o grau de ansiedade colocado nesse ambiente, alguns profissionais poderão evoluir para um transtorno de fato.


Estudos realizados em momentos diferentes pela Talenses e a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE) em cinco regiões do Brasil, em empresas nacionais e multinacionais, de grande e médio porte, mostrou que 52% dos colaboradores sofriam de ansiedade enquanto no trabalho. A mesma pesquisa apontou que 47% dos colaboradores disseram sentir-se cansados com frequência, desse número, 22% alegaram o desanimo e a frustração, desse total entrevistado, 89% consideram a falta de empatia dentro da Cia., cabendo um ponto de atenção para as empresas.


Aqui não estamos falando da ansiedade referente a uma entrevista, referente a uma apresentação de resultados para diretores etc, essa ansiedade é benéfica, nos mantem em alerta, aqui comento de outras situações como, relações interpessoais, excesso de responsabilidades para os profissionais, metas muito difíceis ou impossíveis de serem alcançadas, relacionamento agressivo ou abusivo entre os profissionais ou chefias, horas excessivas e contínuas de trabalho, reuniões intermináveis, da política da empresa, vulnerabilidades do ofício, más condições de trabalho e ainda assédio moral e pressão por vendas, produção, faturamento etc. Com essa pressão em manter a alta performance do seu time constantemente, todos os dias, todos os meses, a relações “trabalho x colaborador” ficará cada vez mais fria, ou seja, colaboradores irão em buscam empregos que gerem melhores possibilidades de trabalho e renda em um ambiente mais humanizado.

Aumento de casos de depressão no ambiente nas empresas.


Uma crise de ansiedade pode evoluir para um diagnóstico de depressão é o que aponta a pesquisa da AMCHAM, realizada com 199 lideranças, sendo 15% CEO´s, Presidentes, VPs e Sócios; 19% diretores e 26% gerentes. A maioria dos respondentes são de grandes empresas (45%), seguido de pequenas (28%), médias (24%) e startups (4%). Os segmentos que mais participaram da pesquisa foram indústria (32%), serviços (26%) e tecnologia (11%). Das 199 lideranças entrevistadas, 49% a preocupação é alta, 43%, média: apenas 8% das lideranças têm um nível baixo de preocupação com a saúde mental de seus colaboradores, com isso, transtornos como depressão e ansiedade deixaram de ser assuntos tratados apenas no privado. Com a pesquisa, entendemos que o bem estar mental está na prioridade dos gestores e lideranças empresariais onde, a falta de cuidado das empresas em observar alguns sintomas da doença, pode gerar muitos problemas futuros aos colaboradores.


Consequências.


Afastamento do trabalho por transtornos de ansiedade vem progredindo a cada ano. Por isso, governos, empresas, entidades como a AMCHAM , estão colocando o tema em discussão. Não é bom para a economia do país, para a saúde das pessoas e para a saúde das empresas que seus colaboradores estejam doentes.

É importante atuar em várias frentes e que seja uma preocupação de todos. O RH terá um papel fundamental em construir um ambiente corporativo mais saudável e feliz dentro das empresas, longe da ansiedade e depressão, essa tendência vem ganhando escala e profundidade com uma liderança humanizada.


Para falarmos de liderança humanizada, vamos comentar antes sobre o livro Empresas Humanizadas – Pessoas – Proposito – Performance dos autores Raj Sisodia, David B. Wolfe e Jag Sheth e, na visão dos autores que defendem alguns conceitos básicos para tornar as empresas mais humanas, que são, “ as companhias que se esforçarem por meio de suas palavras e ações para serem benquistas por todos os seus principais stakeholders - clientes, funcionários, fornecedores, comunidade e acionistas - alinhando os interesses de todos de tal forma que nenhum grupo de stakeholders ganhe em detrimento de outros; preferivelmente, todos prosperam juntos. Essas são empresas que ampliaram seu propósito para além da criação de riqueza para os acionistas, atuando como agentes para um bem maior. Vemos essas empresas não como discrepantes, mas como a vanguarda de uma corrente principal de negócios. ”, não sei se será fácil a implementação desses conceitos nas empresas, mas concordo com os autores.

Com vários exemplos dados pelos autores com o testemunho de alto executivos, citarei alguns para exemplificar que uma Empresa Humanizada necessita de uma Liderança Humanizada;


Karen Shadders, vice-presidente da Wegmans Food Market, acredita que se cuidar de seus colaboradores, eles atenderão melhor seus clientes e se eles não puderem cuidar das suas famílias, eles não poderão cuidar de nossos clientes.

“Bons empregados asseguram maior produtividade”, diz Shadders.


Stanley Holmes, Costco disse em entrevista a Business Week em 2004 que, “pagar bem seus colaboradores não é apenas a coisa certa a fazer, mas um bom negócio. Na análise final, você recebe pelo que paga”.


A construção desse ambiente dentro das empresas humanizadas por Líderes Humanizados, prefiro chamá-los de Lideres Protagonistas, requer uma postura disruptiva dentro das empresas em promover a diminuição do turnover e do absenteísmo, os colaboradores se sentirão mais inseridos, mais engajados e consequentemente o aumento na produtividade das empresas. Empresas onde os colaboradores sentem-se cuidados, acolhidos, sentimento de pertencimento e de bem estar é uma forma de reter talentos e promover seu crescimento, essa é a missão de todos os Lideres Protagonistas.


Controlando a Ansiedade.


Como vimos, a ansiedade pode atrapalhar no trabalho e temos o dever de que controlá-la e tratá-la. Segundo levantamento mostrou que dos dez estados emocionais mais citados pelos funcionários entrevistados, cinco correspondem a sentimentos ligados a necessidades não atendidas, sendo que os dois mais identificados são ansiedade e cansaço, seguidos de apreensão, desânimo e frustração, explicado pela falta de empatia. Quando as necessidades são atendidas, os sentimentos que surgem são despreocupação, segurança, calma, realização e satisfação, ou seja, os menos mencionados na pesquisa.


“Os melhores índices apareceram quando o que estava sendo analisado era a própria equipe do funcionário, ou seja, o seu núcleo mais próximo. Isso ia de alguma forma piorando quando ele falava de pares, liderança e ainda mais quando falava de empresa. Ou seja, percebia que ele e pessoas perto dele se atendiam nas escutas, resolviam conflitos e necessidades, mas a empresa como um todo não o fazia com tanta efetividade”, explicou a especialista em comunicação não violenta e curadora da pesquisa, Pamela Seligmann.


Para finalizar.....encerro com um trecho do livro Especialista em Pessoas do autor Tiago Brunet, onde ele descreve em seu livro que “lidar com pessoas não é tarefa fácil verdadeiramente, é um desafio” e continua... “a jornada de nossa existência é uma estrada cheia de pedras e ao observamos um riacho percebemos que, apesar de deparar com muitas pedrinhas, a água, em vez de enfrenta-las, contorna uma a uma com elegância “, governe suas emoções para não chutar as pedras pelo caminho e preserve a dor da topada.


Pense nisso, você como colaborador que sente-se pressionado, desprezado siga o seu caminho , seus sonhos “emprego é meio, não é fim”, viva sua vida, e para nós, Lideres Protagonistas, de o exemplo, cuide de seu time, vibre nas conquistas e não os abandone na derrota, crie um ambiente humanizado dentro de sua empresa , faça a sua parte.


Boa leitura !!!!


Gostou, compartilhe e deixe seu comentário ou de uma sugestão de algum tema que queira debater.


Referências bibliográficas:


Pamela Seligmann, Psicologa e Professora de Comunicação Não- Violenta

Hirschle, A. L. T. e Gondim, S. M. G. Estresse e bem-estar no trabalho: uma revisão de literatura. Ciência & Saúde Coletiva.

Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje)

Pesquisa da Talenses, em 2019

Pesquisa AMCHAM – de 21/06/2021

Livro : Empresas Humanizadas - Pessoas, Propósito e Performance - editora Alta Books.

Livro : Especialista em Pessoas , editora Academia

 
 
 

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