O futuro do luxo passa pela Bergdorf Goodman
- Clilson Filippetti

- 3 days ago
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Em um cenário global de varejo marcado por transformações vertiginosas, a emblemática loja Bergdorf Goodman, situada na 745 Fifth Avenue, New York, NY, consolida-se não apenas como um ícone do luxo tradicional, mas como um estudo de caso exemplar de resiliência e inovação.
Sua relevância transcende as fronteiras do comércio convencional, posicionando-a como um farol para as discussões da NRF Big Show 2026. Sob o tema “The Next Now”, o evento convida o setor à reflexão sobre a convergência entre experiências imersivas, personalização baseada em dados e a integração fluida entre os canais físico e digital.
Sua história
A trajetória da Bergdorf Goodman é um testemunho da capacidade de adaptação estratégica. Fundada em 1899 por Herman Bergdorf como uma alfaiataria de elite, a marca encontrou seu verdadeiro motor de expansão na visão de Edwin Goodman, inicialmente seu aprendiz, que se tornou sócio e, em 1914, introduziu uma inovação revolucionária para o mercado americano: o conceito de roupas prontas, o ready-to-wear.
Essa iniciativa pioneira democratizou o acesso à alta costura para a elite da época, permitindo que a clientela feminina adquirisse peças de designers renomados sem a necessidade de longos processos de alfaiataria, estabelecendo a loja como um destino incontornável da moda internacional.
Atualmente, a Bergdorf Goodman opera sob o teto da Saks Global - que entrou com um pedido de falência na noite de terça-feira 13/01/26, sendo um dos maiores colapsos do varejo desde a pandemia, segundo Reuters -, uma divisão de luxo formada a partir da união estratégica entre o Neiman Marcus Group e a Saks Fifth Avenue, consolidada no final de 2024.
Sob a liderança da Saks Global, a marca mantém uma política deliberada de exclusividade e escassez. Ao operar com apenas duas unidades físicas — o majestoso edifício feminino de oito andares e a loja masculina estrategicamente localizada no antigo espaço da FAO Schwarz —, a instituição preserva sua aura de destino global.
Com um faturamento que se aproxima da marca de um bilhão de dólares, impulsionado por uma operação digital que, sozinha, gera centenas de milhões, a Bergdorf Goodman exemplifica a integração omnichannel, na qual o prestígio físico potencializa o alcance digital.
Diferenciação está no seu DNA
A essência da diferenciação competitiva da Bergdorf Goodman reside em sua curadoria inigualável. Longe de ser uma simples agregação de produtos, a loja orquestra um ecossistema de luxo coeso, organizando centenas de grifes de prestígio em mini-boutiques que oferecem desde alta joalheria até itens exclusivos para o lar.
Essa seleção meticulosa atua como um filtro de sofisticação, antecipando as preferências de uma clientela de alto poder aquisitivo. A experiência é elevada por serviços de excelência, como o atendimento de personal shoppers dedicados e o renomado BG Restaurant, que oferece uma vista privilegiada do Central Park, transformando o ato de compra em uma jornada emocional e sensorial.
Na inovação tech; o humano que brilha
No contexto tecnológico, a Bergdorf Goodman adota uma postura em que a inovação atua como coadjuvante do talento humano. O atendimento consultivo é fundamentado em sistemas avançados de gestão de relacionamento com o cliente (CRM), permitindo recomendações precisas baseadas em históricos detalhados.
No entanto, o protagonismo permanece inequivocamente no toque humano, elemento reconhecido como o diferencial supremo no futuro do luxo. Essa filosofia reflete-se também em suas vitrines icônicas, que transformam a Quinta Avenida em um verdadeiro teatro a céu aberto. Mais do que ferramentas de merchandising, as vitrines são instrumentos de storytelling visual que capturam a imaginação coletiva e reforçam a identidade cultural da marca.
O que o mercado de luxo brasileiro pode aprender com a Bergdorf Goodman
Ao traçar paralelos com o mercado brasileiro, observa-se que, embora não existam equivalentes exatos em magnitude institucional, centros como o Iguatemi São Paulo e o Shopping Cidade Jardim ecoam essa busca pela curadoria de alto padrão e por experiências aspiracionais.
Estratégias para o futuro da Bergdorf Goodman
A Saks Global anunciou oficialmente, em 2 de janeiro de 2026, que Richard Baker, atual presidente executivo, assumiu o cargo de CEO, substituindo Marc Metrick.
Provavelmente, a visão para os próximos anos priorizará o conceito de “luxo clássico reinventado”, com experiências sensoriais físicas que alimentam narrativas digitais, curadoria preditiva impulsionada por dados e parcerias estratégicas com designers emergentes.
Essa abordagem está em perfeita sintonia com as discussões da NRF 2026, antecipando a maturidade da inteligência artificial sem descaracterizar o elemento humano, que é intrínseco e insubstituível no universo do luxo.
A marca não apenas vende produtos; ela entrega um estilo de vida, um senso de exclusividade e uma experiência que ressoa profundamente com os desejos e aspirações de sua clientela.
A lição global da Bergdorf Goodman para o varejo contemporâneo é clara: longevidade e sucesso dependem da capacidade de criar um forte senso de lugar e pertencimento.
Ao priorizar conexões humanas profundas e narrativas autênticas em vez de transações momentâneas, a marca não apenas sobrevive, mas redefine o significado de excelência em um mundo hiperconectado — provando que o verdadeiro luxo é, e sempre será, intrinsecamente humano.
A Bergdorf Goodman, sob o comando de Baker recém empossado ao cargo, sobreviverá ao processo de falência para continuar ditando as regras no mercado de extremo luxo da moda?
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Fique bem e até o próximo artigo!
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