Proteção de margem e eficiência operacional
- Clilson Filippetti

- 12 minutes ago
- 15 min read

Em um cenário desafiador do varejo alimentar, o setor supermercadista brasileiro opera em um ambiente de intensa competitividade, onde as margens de lucro operacionais são notoriamente estreitas, geralmente situando-se entre 2% e 3% do faturamento.
Nesse contexto, a governança corporativa emerge não apenas como um diferencial, mas como um pilar indispensável para a salvaguarda da saúde financeira e para o impulsionamento contínuo da eficiência operacional. A perenidade dos negócios neste segmento depende intrinsecamente da capacidade de adaptação e da solidez de suas estruturas de gestão.
A transformação do varejo alimentar é uma realidade inegável, impulsionada por avanços tecnológicos exponenciais e por uma mudança fundamental e irreversível no comportamento do consumidor. A questão central para os supermercados contemporâneos transcende a mera atração de clientes; ela se concentra na construção de relacionamentos duradouros que se estendam para além da transação comercial pontual.
Em um cenário onde a lealdade do consumidor é um ativo cada vez mais raro – com menos de 5% dos consumidores brasileiros se autodeclarando “super leais” a uma marca, e a conveniência se tornando um fator decisivo para 76% deles, a fidelidade é ainda mais estratégica.. Neste artigo exploro as estratégias e os pilares essenciais para que os supermercados transcendam a condição de mera opção de compra, transformando-se em parte integrante e indispensável da vida de seus clientes.
A governança corporativa como pilar estratégico para a rentabilidade
Em um setor onde a volatilidade e a pressão sobre as margens são constantes, a governança corporativa assume um papel central na garantia da perenidade e do sucesso sustentável das empresas supermercadistas. Alinhada aos princípios e melhores práticas preconizados pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a atuação do conselho de administração transcende a mera fiscalização, configurando-se como um motor estratégico para a otimização de processos e a proteção do valor.
O conselho, em sua essência, deve exercer uma supervisão estratégica rigorosa sobre a cadeia de suprimentos (supply chain), o controle de custos e o monitoramento de indicadores-chave de desempenho (KPIs), tais como o giro de estoque e as negociações com fornecedores. Essa vigilância ativa é crucial para assegurar que a organização não apenas sobreviva, mas prospere em um ambiente de alta competitividade.
O artigo internacional "The Grocery Margin Reality Check: Why 2026 Demands a New Approach", publicado pela DemandTec em março de 2026, corrobora essa perspectiva ao analisar a pressão sistêmica sobre as margens no varejo supermercadista global. O estudo revela que, embora 70% das margens sejam influenciadas por fundos de trade, ocorrem vazamentos significativos devido a silos em precificação, promoções e planejamento.
Tais problemas, segundo a pesquisa, são passíveis de resolução por meio de modelos conectados de inteligência artificial (IA), que unificam previsões (forecasts) e promovem a colaboração eficaz com fornecedores. Isso reforça a necessidade premente de uma governança diretorial robusta, capaz de assegurar a execução integrada em toda a supply chain, alinhando-se a casos de sucesso tanto no Brasil, como o GPA, quanto internacionalmente, como o Walmart, conforme destacado na NRF 2026. A persistência de tarifas, promoções intensas e a sensibilidade de preços no mercado demandam uma eficiência operacional exemplar para proteger o caixa em um setor com margens inferiores a 3%.
O básico bem feito como alicerce da eficiência operacional
Antes de qualquer estratégia de encantamento ou inovação disruptiva, a premissa fundamental para o sucesso no varejo supermercadista reside em não frustrar o cliente. O conceito de "básico bem feito" constitui o alicerce silencioso sobre o qual a confiança e a lealdade são construídas.
Ele se traduz em previsibilidade: o cliente deve ter a certeza de que encontrará uma loja limpa, organizada, com produtos de qualidade e, crucialmente, sem rupturas de estoque. Redes como a Wegmans, uma referência no setor há mais de um século nos Estados Unidos, solidificaram sua reputação e sua base de clientes fiéis na consistência da execução básica.
Para alcançar esse patamar de excelência operacional, é imperativo investir em uma infraestrutura robusta, que inclua sistemas integrados de gestão, capazes de otimizar o sortimento de produtos e o controle de estoque. A gestão de dados desempenha um papel vital nesse processo, permitindo análises preditivas e a tomada de decisões informadas.
Adicionalmente, um controle rigoroso da validade dos produtos é essencial para minimizar perdas e garantir a qualidade oferecida ao consumidor. A experiência do cliente, portanto, inicia-se e é profundamente influenciada pela eficiência operacional, muito antes de qualquer inovação tecnológica ou estratégia de marketing.
Os dados mais recentes da 25ª Pesquisa de Eficiência Operacional da ABRAS, divulgados em 2025, revelam que o setor supermercadista brasileiro alcançou um índice de eficiência de 98,11%, com um índice de ineficiência, ou perdas, de 1,89%.
Embora este percentual possa parecer pequeno, ele representa um volume financeiro substancial que deixa de ser incorporado ao caixa das empresas. Para cada R$ 100.000.000,00 faturados, aproximadamente R$ 1.890.000,00 são perdidos. Curiosamente, esse resultado é considerado um avanço, dada a crescente participação de produtos perecíveis nas lojas, categorias que, por sua natureza, apresentam um índice de perdas mais elevado.
Manter a estabilidade nesse indicador, mesmo diante de uma operação mais complexa, demonstra a crescente competência do setor na gestão de suas perdas.
Mapa de perdas, onde focar os esforços
Para otimizar a eficiência operacional, é fundamental compreender a origem das perdas. A pesquisa da ABRAS as categoriza em três grandes alavancas, fornecendo um roteiro claro para a atuação estratégica:
• Quebra operacional (68%): Esta é a principal vilã, englobando todos os produtos que se tornam impróprios para a venda devido a avarias, contaminação ou, predominantemente, prazo de validade expirado. O aumento na representatividade desta alavanca (de 59% para 68%) pode indicar uma melhoria na medição e no reporte das quebras pelos varejistas, um passo crucial para a melhoria contínua. As principais causas da quebra operacional são: prazo de validade (37%), produtos impróprios para consumo (28%) e produtos avariados (24%).
• Desvio operacional (21%): Esta categoria inclui perdas não identificadas, como furtos (externos e internos) e erros de fornecedores. A redução de 28% para 21% na participação desta categoria sugere um avanço nas estratégias de segurança e controle de recebimento. O furto externo ainda representa o maior desafio, correspondendo a 71% desses desvios.
• Perdas administrativas (11%): Embora seja a menor fatia, não deve ser negligenciada. Refere-se a falhas em processos internos, como erros de inventário (45%) e outros erros administrativos (36%), incluindo erros de cadastro de produtos e problemas na precificação. São perdas silenciosas que corroem a lucratividade.
Estratégias para otimizar a eficiência operacional
Com o diagnóstico em mãos, a ação é imperativa. A otimização do índice de eficiência operacional exige uma abordagem multifacetada, que abrange desde a gestão de riscos até a implementação de tecnologias avançadas.
• Gestão de riscos e prevenção: O combate ao furto externo, principal causa dos desvios operacionais, vai além da segurança patrimonial. É fundamental investir em tecnologia, como sistemas de monitoramento inteligentes, e, crucialmente, em treinamento de equipes. Os colaboradores da loja devem estar preparados para atuar de forma protocolada e adequada, evitando que ações de prevenção se transformem em crises de imagem para a marca.
• Gestão de estoque e self- life: O vencimento de produtos é a principal causa de quebra. Isso ressalta a necessidade de uma gestão de estoque e validade impecável. Categorias como frutas, legumes e verduras (FLV), açougue e padaria são as mais críticas e demandam atenção redobrada. A implementação de sistemas como o PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) é crucial, assim como a criação de processos para identificar produtos próximos ao vencimento e acelerar sua venda por meio de ações promocionais.
• Acuracidade nos processos: Erros de inventário e problemas no recebimento de mercadorias são fontes constantes de prejuízo. A chave para combatê-los é a acuracidade. Processos de recebimento bem definidos, com conferências rigorosas, evitam que divergências com fornecedores se tornem perdas. Da mesma forma, a realização de inventários periódicos, apoiados por tecnologia, garante a confiabilidade dos dados de estoque, que é a base para qualquer decisão estratégica.
A I.A. nos bastidores da operação eficiente
A NRF 2026 (Retail's Big Show), realizada em janeiro de 2026 em Nova York, enfatizou a maturidade tecnológica no varejo, com um foco claro na execução prática em vez do hype em torno da inteligência artificial. A IA, nesse contexto, é vista como uma ferramenta essencial para a eficiência operacional e a otimização da supply chain no setor supermercadista.
As lojas físicas, contrariando algumas previsões, ressurgem como motores de crescimento, impulsionadas pela automação. Tecnologias como digital twin (dados em tempo real) e mapas inteligentes são empregadas para dimensionamento de equipes e aferição de performance. Um supply chain resiliente, habilitado pela IA, protege as margens e reduz o desperdício. A ênfase recai sobre as soluções já operacionais que proporcionam eficiência imediata.
Com base nas discussões da NRF 2026, que abordam na proteção de margem e a eficiência operacional no segmento de supermercados americano, com foco no varejo alimentar nos EUA, alguns pontos se destacam:
Eficiência operacional para redução de desperdício é um dos focos centrais do setor: No artigo ‘What retailers were really focused on – Scandit’, destaca-se que varejistas de supermercado, em 2026, concentram esforços em resolver o ‘estoque invisível’, reduzir o desperdício de perecíveis e viabilizar o fulfillment em loja, com apoio de tecnologias como visão computacional e coleta de dados em tempo real nas prateleiras. A tradução dessa eficiência operacional direta é, “menos ruptura, menos desperdício e menos retrabalho de equipe de loja” impacta diretamente na proteção da margem, uma vez que cada ponto percentual de redução de perda de vendas e de desperdício eleva o lucro em um setor de margens finas.
A automação e a decisão baseada em dados estão no centro da estratégia do varejo : O artigo ‘Recap and the Future of Automated Retail – Honeywell’ mostra que varejistas vêm adotando plataformas de IA para elevar a produtividade, ampliar a visibilidade do estoque e otimizar a mão de obra — um movimento essencial para sustentar margens sob pressão.
A lógica é clara, substituir sistemas rígidos por automação modular e escalável, com ajustes dinâmicos que transformam eficiência em margem, sem comprometer a experiência do cliente.
IA “agente” para ganhos de margem: No artigo “Agentic AI Shines at NRF 2026 – Supermarket News”, discute-se o uso de IA agente (com múltiplas ações automáticas) em supermercados e lojas de conveniência para aprimorar o uso de dados do cliente, otimizar promoções e a gestão de inventário, reforçando a proteção de margem em um ambiente de margens historicamente baixas.
Empresas como a Fusemachines, cujo fundador e CEO, Dr. Maskey, está profundamente comprometido com a democratização da IA — corroboram que varejistas estão migrando de “pilotos de IA” para plataformas de execução, com foco explícito em logística, otimização de inventário e redução de custos operacionais, ou seja, eficiência operacional direta para sustentar as margens.”
A importância do sistema de RFID para proteção das margens
A tecnologia de Identificação por Radiofrequência (RFID) tem se mostrado uma ferramenta poderosa na proteção das margens no setor supermercadista, com o Walmart sendo um dos grandes exemplos de sua aplicação. O RFID contribui significativamente para a redução de ruptura, perda de vendas e desperdício, além de otimizar custos operacionais por meio da automação de estoque e logística.
Os principais benefícios da implementação do RFID, principalmente para as redes supermercadistas, são:
Redução de ruptura e perda de venda, com a implementação do RFID, o Walmart conseguiu elevar a precisão de estoque em suas lojas de aproximadamente 63% para mais de 95%, resultando em uma redução de "out of stocks" em torno de 40% nos departamentos habilitados com RFID. Menos ruptura significa mais vendas realizadas de margem potencialmente ativa, o que, por sua vez, reduz a perda de receita e protege a margem bruta em categorias de alta rotatividade.
Acurácia no inventário com menos retrabalho, o RFID praticamente elimina o "phantom inventory" (itens que constam no sistema como existentes, mas que não estão fisicamente na loja), reduzindo esse problema em até 70% nas lojas piloto. Isso minimiza o retrabalho da equipe, evita pedidos indevidos e ajustes de estoque, consequentemente diminuindo os custos operacionais e prevenindo promoções forçadas de produtos que, na realidade, estavam apenas mal registrados.
Redução de desperdício, em categorias de produtos frescos, como carnes, frios e padaria, o Walmart utilizou soluções RFID com "data de validade digital" para rastrear cada item individualmente. Essa capacidade permite uma melhor rotação dos produtos e a possibilidade de remarcar ou realocar itens antes que se tornem impróprios para o consumo e sejam descartados. Menos produto vencido e descartado se traduz em maior margem líquida por quilo vendido, um fator crítico em produtos frescos, onde o desperdício é um dos maiores "margem killers".
Ganho de eficiência operacional e de mão de obra, estudos indicam ganhos de até 15% em economia de mão de obra em processos como recebimento, contagem e reposição, graças à leitura automática de múltiplos itens simultaneamente. Essa eficiência reduz os custos fixos por venda, alivia a pressão sobre as margens em cenários de alta concorrência de preço e permite redirecionar as horas da equipe para tarefas de maior valor agregado, como merchandising e atendimento ao cliente.
O Walmart, reconhecendo o valor estratégico do RFID, estabeleceu um mandato claro para seus fornecedores, ampliado em 2025 para novos departamentos, com a meta de estender o uso de tags RFID para quase todos os produtos em lojas e centros de distribuição.
Controle de desperdícios: uma prioridade de todos os colaboradores
Os desperdícios representam um dos principais drenos de margem no setor supermercadista, configurando-se como "dinheiro na mesa" que não é aproveitado. Essas perdas abrangem diversas categorias, incluindo perecibilidade (com 5,83% em frutas e verduras), quebras operacionais e furtos internos/externos, totalizando 1,87% do faturamento bruto em 2025.
O Sebrae, em seu guia de eficiência para supermercados, prescreve uma metodologia precisa para o cálculo das perdas: (valor das perdas ao custo / faturamento bruto) x 100. A meta para redes maduras é manter esse índice abaixo de 1%. As perdas conhecidas (operacionais) e desconhecidas somam 1,87% do faturamento, impactando diretamente o caixa das empresas.
Medidas eficazes para o controle de desperdícios incluem a realização de inventários periódicos, a implementação de softwares de gestão e o treinamento contínuo das equipes, conforme recomendado pelo Sebrae e pela ABRAS.
IA a nova fronteira da experiência do cliente
A inteligência artificial evoluiu para se tornar um verdadeiro "cérebro omnichannel", capaz de unificar a jornada do cliente com a previsão de demanda, a otimização de estoque e a personalização extrema, tudo isso baseado em dados em tempo real. Essa capacidade reduz significativamente as rupturas e o excesso de estoque nos supermercados. Os supermercados devem adaptar-se para aplicar essa inteligência no front-end (receitas, listas de compras), apesar dos desafios locais, como o giro rápido de estoque.
Operações inteligentes e os desafios para as lojas físicas
As operações inteligentes e eficientes nas lojas físicas são cruciais para proporcionar uma jornada de compras sem fricção e uma experiência positiva ao cliente. Os principais desafios e estratégias incluem:
• Retenção e Clientelling: O foco deve ser na retenção de clientes por meio de clientelling (construção de relacionamento) e programas de fidelidade (loyalty), priorizando o lifetime value em detrimento da aquisição de clientes, que pode ser dispendiosa. Relacionamentos controláveis com alta margem são o objetivo.
• Sustentabilidade e eficiência: A IA desempenha um papel fundamental na otimização do inventário, na logística reversa e na gestão da força de trabalho (inclusive com gamificação). A unificação do planejamento é essencial para garantir a disponibilidade de produtos, proteger as margens e reduzir o desperdício, como demonstrado por soluções como a RELEX - empresa de soluções tecnológicas para o planejamento da cadeia de suprimentos -.
Governança como garantidora das margens e operações
A governança, conforme definido pelo IBGC, é um sistema de princípios, regras e processos que direciona e monitora organizações para gerar valor sustentável a acionistas e à sociedade. No varejo supermercadista, isso se traduz em um foco inabalável na transparência, equidade e responsabilização em toda a cadeia de supply chain. A aplicação desses princípios à gestão de riscos na cadeia de suprimentos é vital para mitigar ameaças operacionais.
O relatório Jefferies "Walmart, Target outpace peers in AI-driven supply chain" (15 de março de 2026) evidencia os ganhos operacionais obtidos por meio da IA em logística e estoque, criando um "readiness gap" (lacuna de prontidão) entre líderes e retardatários, e priorizando a alavancagem de despesas gerais, de vendas e administrativas (SG&A). Este estudo é um exemplo claro de como a governança pode impulsionar a eficiência.
ABRAS e APAS complementam essa visão com pesquisas anuais de eficiência operacional, que revelam índices de 98,13% em 2023 e 98,11% em 2025. Embora esses números indiquem um alto desempenho, ainda há espaço para reduzir as ineficiências de 1,87% .
A governança corporativa atua ao exigir relatórios mensais de KPIs, como taxa de ruptura e índice de perdas conhecidas/desconhecidas, promovendo ações corretivas como inventários cíclicos, treinamentos e a implementação de softwares ERP. ABRAS e APAS documentam que redes com governança forte conseguem reduzir quebras em 15% por meio da padronização de processos, recuperando milhões em caixa anualmente.
Passarella alerta para a "solidão do poder" em empresas familiares, onde a ausência de um conselho pode levar à negligência operacional, contrastando com estruturas alinhadas ao IBGC que institucionalizam a prevenção de desperdícios. Esses conceitos orientam os conselhos a monitorar KPIs como giro de estoque e perdas por perecibilidade, transformando a supply chain em uma vantagem competitiva.
Importância da supply chain.
Um supply chain otimizado protege as margens ao reduzir custos logísticos e estoques excessivos em um setor onde "cadeias competem contra cadeias". As empresas supervisionam seus fornecedores para garantir resiliência, integrando a governança para equilibrar custos e sustentabilidade .
Nos EUA, o Walmart, conforme apresentado na NRF 2026, monetiza sua logística e serviços financeiros, reduzindo custos internos por meio de uma supply chain integrada. Target e Trader Joe’s, por sua vez, enfatizam entregas diárias, autonomia local e parcerias para produtos frescos, protegendo suas margens com eficiência.
No Brasil, a ABRAS aponta que a automação em estoque e logística diminui erros e furtos. Furtos externos subiram para 68% das perdas em 2023, mas desvios operacionais caíram 7 pontos percentuais em 2025. Isso reforça a necessidade de conselhos ágeis na negociação e previsão de demanda.
Desperdícios e Prevenção
Conforme já mencionado, os desperdícios representam "dinheiro na mesa", com perdas por quebra, perecibilidade (5,83% em frutas/verduras) e furtos internos/externos. Perdas conhecidas (operacionais) e desconhecidas somam 1,87% do faturamento, impactando diretamente o caixa.
Medidas preventivas incluem inventários periódicos, softwares de gestão e treinamento, conforme Sebrae e ABRAS. O cálculo de perdas é: (valor perdas custo / faturamento bruto) x 100, com metas para abaixo de 1%.
Eficiência operacional suas métricas e práticas
A eficiência operacional é mensurada pelo índice ABRAS (98,11% em 2025), que reflete a proporção de vendas sem perdas, mas exige vigilância contínua em KPIs como eficiência administrativa (15% do faturamento em 2023), giro de estoque (ideal 12-15x/ano) e controle de qualidade. O conselho, sob as lentes do IBGC, define metas agressivas, premiando executivos por superação.
Práticas comprovadas incluem a automação de PDVs, que reduz erros em 30%, e o S&OP (Sales & Operations Planning) para alinhar a demanda com os suprimentos. No Brasil, a APAS promove benchmarks que elevam o nível operacional das lojas em 5 pontos, conforme pesquisa de 2024. A eficiência operacional é aprimorada com sistemas integrados e automação, melhorando a precisão em estoque e reduzindo quebras operacionais.
A pesquisa ABRAS 2024 mostra uma elevação no nível operacional das lojas. KPIs chave incluem eficiência administrativa (15% em 2023), giro de estoque e controle de qualidade. Redes regionais destacam-se por decisões data-driven, protegendo margens.
Integração ESG na governança e sustentabilidade como vantagem competitiva
A integração dos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) na estratégia corporativa não é apenas uma questão de conformidade, mas uma alavanca poderosa para a eficiência e a criação de valor sustentável. O ESG transcende o compliance, integrando-se à governança para potencializar a eficiência.
• Pilar Ambiental (E), foca em iniciativas como reciclagem (com meta de 100% em plásticos até 2030), energia limpa (38% das instalações varejistas já utilizam energia solar) e redução de emissões por meio de tecnologias como LEDs e frotas elétricas. Essas ações resultam em cortes de custos energéticos de 20-30%.
• Pilar Social (S), concentra-se na prevenção do desperdício de alimentos por meio de doações e compostagem, alinhando-se às expectativas da sociedade. O Guia ESG ABRAS/KPMG recomenda que os conselhos vinculem bônus executivos a metas ESG, como no caso do Carrefour, que doou 6.500 toneladas de alimentos em 2023.
• Pilar Governança (G),assegura a transparência e a responsabilidade, transformando o ESG em um mecanismo eficaz de proteção de margem .
Casos nacionais e internacionais de sucesso
Diversas empresas, tanto no cenário nacional quanto internacional, demonstram a aplicação bem-sucedida dos princípios de governança corporativa e eficiência operacional:
• Grupo Pão de Açúcar (GPA) - Reduz emissões substituindo refrigeradores e auditando fornecedores. Adequa pedidos para minimizar desperdício, integrando ESG à cultura e aos bônus de seus colaboradores.
• Grupo Carrefour Brasil - Doou 6.500 toneladas de alimentos em 2023. Possui metas ESG atreladas aos bônus em todos os níveis, com uma supply chain resiliente sob governança top-down .
• Grupo Pereira (Fort Atacadista) - Reciclou 15 toneladas de resíduos desde 2019 e coleta óleo/lâmpadas. Tem como meta 100% de energia renovável até 2024, com pontos de coleta seletiva.
• Assaí Atacadista - Conselhos monitoram KPIs (estoque, perdas, giro) para otimização da supply chain, exigindo transparência em negociações. Em margens apertadas, o foco na prevenção eleva a eficiência de 98% para mais de 99%.
• Walmart (EUA) - Conforme discutido, utiliza RFID para proteção de margens e monetiza logística e serviços financeiros, reduzindo custos internos via supply chain integrada.
• Target e Trader Joe’s (EUA): Enfatizam entregas diárias, autonomia local e parcerias para produtos frescos, protegendo margens com eficiência.
Perenidade e liderança para o setor supermercadista
O setor supermercadista brasileiro, imerso em um cenário de margens apertadas e transformações aceleradas, encontra na governança corporativa e na eficiência operacional os pilares fundamentais para sua perenidade e sucesso. A capacidade de um supermercado de transcender a mera transação comercial e construir relacionamentos duradouros com seus clientes está intrinsecamente ligada à sua habilidade de executar o "básico bem feito", otimizar sua cadeia de suprimentos e abraçar as inovações tecnológicas.
A integração estratégica da inteligência artificial, do RFID e dos princípios ESG não é mais um diferencial competitivo, mas sim imperativo para a sobrevivência e a liderança. A NRF 2026 deixou claro que a IA não é mais uma promessa futura, mas uma realidade operacional que, quando bem aplicada, protege margens, reduz desperdícios e aprimora a experiência do cliente. A governança, por sua vez, atua como o maestro que orquestra todas essas iniciativas, garantindo que as decisões estratégicas estejam alinhadas aos objetivos de longo prazo e à criação de valor sustentável para todos os stakeholders.
Empresas que adotam uma governança proativa, ancorada em instituições como o IBGC e em pesquisas setoriais da ABRAS e APAS, e que integram de forma inteligente a supply chain, o controle de desperdícios e as práticas ESG, não apenas recuperam bilhões em caixa anualmente, mas também asseguram uma vantagem competitiva duradoura. A jornada para a excelência operacional é contínua, exigindo um compromisso inabalável com a inovação, a adaptabilidade e, acima de tudo, com a satisfação do cliente.
Aqueles que souberem navegar por este cenário complexo, transformando desafios em oportunidades, serão os verdadeiros líderes do varejo alimentar do futuro.
Fique bem e até o próximo artigo, no qual abordarei o tema: “Gestão de Riscos e Compliance: Blindando a Operação”
#ClilsonFilippetti #CLConsultoriaComercial #GovernançaCorporativa #ConselheiroConsultivo #ConsultoriaComercial #IBGC #CELINT #ESG #VarejoAlimentar #Sustentabilidade #DesperdícioZero #WanderleiPassarella #Wegmans #Walmart #Kruger #ABRAS #APAS #Target #TraderJoes #ERP #RFID #GPA #Carrefour #GrupoPereira #Assai



Comments