Geração Prateada: O novo protagonista da economia global
- Clilson Filippetti

- Jun 18, 2025
- 4 min read
Aqui vai mais um artigo escrito para a Revista Mercattoria, edição de junho/25.
A Silver Economy – ou Economia Prateada – engloba todas as atividades econômicas voltadas às necessidades, produtos e serviços destinados à população com mais de 50 anos.Considerada a terceira maior força econômica do mundo, movimenta cerca de US$ 7,1 trilhões por ano. Segundo a ONU, até 2050, o número de pessoas com 60 anos ou mais ultrapassará os 2 bilhões.
No Brasil, a Economia Prateada já representa 23% do consumo de bens e serviços, com uma renda anual estimada em R$ 940 bilhões. Além disso, o poder aquisitivo é significativo: brasileiros com mais de 65 anos representam 17% do grupo dos 5% mais ricos do país, segundo a FGV. Essa geração ainda detém o chamado "Old Money", riqueza acumulada ao longo das décadas.
Com o avanço do envelhecimento populacional, a Economia Prateada começa a se consolidar como um dos principais motores econômicos do Brasil nas próximas décadas. Estimativas do IBGE apontam que já são mais de 55 milhões de brasileiros com mais de 50 anos, o que representa 26% da população. Até 2070, o número de pessoas com mais de 60 anos deve atingir 75 milhões, mais do que o dobro dos 33 milhões atuais. A projeção da OMS mostra que, em 2030, o Brasil terá mais idosos do que crianças, o que nos coloca em posição de destaque no cenário global.
A Economia Prateada vai muito além dos setores de saúde e moradia: inclui tecnologia, turismo, educação, além de impactar diretamente os padrões de consumo e as estratégias das empresas.
Comparativo Entre Gerações:
Baby Boomers (1946–1964): Criados sob forte disciplina, valorizam família, trabalho, estabilidade financeira e realização pessoal. Projeções indicam que, na próxima década, um terço da população será sênior.
Geração X (1965–1980): Apesar de buscar capacitação e estabilidade profissional, provavelmente será a primeira geração com menos riqueza e patrimônio do que a anterior.
Geração Y ou Millennials (1981–1996): Criativos, sociais, conectados à tecnologia e causas sociais. São multitarefas, impulsivos e desejam crescimento rápido, mas priorizam menos a estabilidade.
Geração Z (1997–2010): Nativos digitais, convivem com tecnologia desde o nascimento. Multifocais, aprendem com múltiplas fontes e têm forte influência sobre o comportamento de consumo. No entanto, há previsões de que tenham menor poder aquisitivo que as gerações anteriores.
A pergunta que se impõe: os executivos da Geração Z, que já influenciam decisões estratégicas no varejo, estão realmente preparados para entender e atender a Geração Prateada, que ainda detém e continuará detendo um enorme poder de compra?
Um Exemplo Inspirador: Disney Springs
Recentemente, em visita à Disney Springs, centro de compras, entretenimento e gastronomia em Orlando (FL), observei uma cena marcante: uma colaboradora acima dos 60 anos, extremamente ativa e gentil, organizando produtos, orientando visitantes e com um sorriso constante no rosto. Um verdadeiro exemplo de acolhimento, eficiência e humanização no atendimento.
Essa não foi uma experiência isolada. Em outras visitas aos EUA, notei um grande número de profissionais 50+ trabalhando no varejo, integrados de forma respeitosa e produtiva às equipes. O setor tem se mostrado um importante aliado na inclusão dessa geração no mercado de trabalho. Fica aqui uma dica valiosa para o varejo brasileiro.
Clientecentrismo com foco na Geração Prateada
O conceito de Clientecentrismo (CX – Customer Experience) tem ganhado força. Porém, ainda falta uma atenção especial à Geração Prateada nas estratégias de empresas e marcas. Afinal, é um público econômico e demograficamente relevante.
Como, então, incluir esse público no centro das decisões? Além do exemplo da Disney, trago experiências vividas em redes supermercadistas norte-americanas:
Self-checkout humanizado: A rede Roche Bros. (Boston) opera com cerca de 30 caixas de autoatendimento organizados em linha. O diferencial está na presença de colaboradores disponíveis para auxiliar clientes com dificuldade tecnológica, evitando filas e melhorando a jornada de compra.
Apoio ativo nas lojas: Em redes como Trader Joe’s (Boylston St.), Wegmans e Whole Foods, o atendimento é próximo e humanizado. Equipes treinadas ajudam o cliente a se localizar e escolher produtos, tornando a experiência mais fluida. Em contraste, redes como CVS e Walgreens deixam a desejar — talvez um dos motivos da alta taxa de fechamento de farmácias nos EUA.
Detalhes que fazem a diferença: carrinhos adaptados, prateleiras mais baixas, etiquetas com letras maiores, corredores bem sinalizados e limpeza impecável são ações simples que encantam. “Fazer o básico bem-feito é uma poderosa estratégia”.
Lembro aqui o caso da Amazon Go: mesmo com tanta tecnologia embarcada, não avançou no ritmo esperado. Já a Whole Foods, com seu atendimento mais humano, continua crescendo com o modelo Whole Foods Daily Shop. Quem quiser saber mais, veja os artigos completos aqui no meu blog.
Jornada Digital do Consumidor 50+
Apesar de não terem nascido na era digital, os 50+ vêm se adaptando bem. Segundo a Data8, 95% dos consumidores 60+ têm smartphones. Estudo da Tsunami8 Latam reforça: 39% fizeram compras online no último ano, e 65% acessam a internet diariamente.
Olhar Atento ao Presente e ao Futuro
Em resumo, a Geração Z, que dita tendências e comportamentos, precisa olhar com mais atenção para a Geração Prateada — público com alto poder de compra e grande influência econômica. Ignorá-los pode ter consequências graves, como mostrou a campanha da Jaguar, criticada por se afastar dos valores tradicionais da marca e alienar o público sênior. O resultado? Queda significativa nas vendas.
A lição é clara: “Quem não valoriza a experiência, a história e o poder de consumo da Geração Prateada, está fadado a perder relevância”.













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