Diferença entre lideranças
- Clilson Filippetti

- Jul 4, 2022
- 3 min read

Não entrarei no mérito de como as empresas, bancos ou países trabalham suas gestões para contextualizar este artigo. O foco principal será uma reflexão sobre os diferentes modelos de lideranças : seus valores e princípios.
Historicamente, as empresas foram moldadas por uma visão militar, baseada em comando e controle, com perfil de exercer o poder. E, até meados do século XX, os melhores guerreiros - referência adotada - provavelmente eram promovidos à líderes, não necessariamente sendo os melhores.
Eu, particularmente, vivi e convivi com este tipo de modelo no início da minha carreira (década de 1970). Na época, a hierarquia era exercida de forma rígida e não havia comunicação entre os níveis. Os diretores eram tratados como semideuses e os grandes conglomerados se consolidaram. O consumo pós-guerra também estava em plena acessão e os resultados eram baseados em volume e preço, além do crescimento orgânico ser lento.
Já no início do século XXI, as bolsas de valores deixaram de ser coadjuvantes para serem protagonistas. Buscavam investidores pagando retornos atraentes, com a disponibilização de dinheiro barato para fomentar o crescimento econômico por meio de aquisições, abertura de capital etc.
Isso culminou com o mundo em amplo crescimento, aumento do consumo, ascensão das classes inferiores, boom imobiliário etc. Essas mudanças transformaram o perfil do líder: da visão militar e rígida para os vaidosos, com salários exorbitantes, bônus sobre resultados, participação em ações. Muitas vezes, trabalhando por interesse próprio para atender aos acionistas que aplicavam seu dinheiro em ações e exigiam retornos rápidos. E não pela riqueza gerada da produção, mas sim pela valorização das ações. Esses novos semideuses tornaram-se interesseiros, trabalhando explicitamente pelo simples objetivo de atender aos acionistas e em prol da sua riqueza pessoal.
Contextualizando a crise de 2008 causada principalmente pela quebra do sistema imobiliário americano devido à perda dos valores dos ativos imobiliários. Consequentemente, as bolsas quebraram no mundo todo com a famosa falência causada voluntária ou involuntariamente pelos principais acionistas do banco Lehman Brothers. A quebra da instituição provocou um efeito cascata: uma quebradeira de bancos pelo mundo, atingindo países como Grécia, Islândia e Argentina.
Recentemente, empresas conhecidas utilizaram subterfúgio para benefício próprio, a exemplo da Boing, Eron, Volksvagem... , aqui no Brasil, a Vale, Odebrecht, Oi etc. Talvez, por uma má gestão ou uma gestão gananciosa, sem escrúpulos para obter lucros a qualquer preço. Isso marcou a fase dos líderes vaidosos.
Nos últimos anos, a divulgação maciça da ESG (escrevi recentemente um artigo sobre esse assunto), fez com que as empresas mudassem o seu comportamento perante a sociedade que provocou mudanças na forma de gestão (não sei se nesta ordem).
Observem que gestão é diferente de liderança. Gestão está voltada à garantia do bom funcionamento do sistema, da implementação, da eficiência, das ações corretivas necessárias. Já a liderança foca em mudanças (inclusive as comportamentais ), nas transformações, em construção dos sistemas, de provocação.
O líder moderno muito mais consciente tem que estar preocupado em servir o propósito das empresas e acionistas e não para o seu enriquecimento próprio, poder, status, reconhecimento etc. O líder moderno, tem que desenvolver, motivar, orientar e inspirar seus colaboradores para o alcance do objetivo comum, de prosperar a longo prazo, ter uma visão ampla e capacidade de mitigar prováveis problemas, que se não forem percebidos e corrigidos, poderão ocasionar uma crise e até a quebra de uma empresa. O líder moderno deve ser guardião do negócio e preservá-lo para gerações futuras.
Por fim, estamos em um mundo mais humano, transparente e nas empresas que presto consultoria, procuro implementar uma gestão mais compartilhada. Coloco os pontos críticos em discussão com os gestores, deixo claro aonde a empresa precisa chegar, os passos de cada etapa a ser implementada, orientando e implantando junto com a equipe (hands on). Não vejo mais espaço para gestores com o mindset militar em que a imposição impera e para os vaidosos que pensam em benefício próprio e buscam resultados a curto prazo.







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