Da NRF Big Show 2026 para o Brasil: o que faz sentido aplicar agora
- Clilson Filippetti

- 7 days ago
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Updated: 5 days ago
IA, ESG e logística formam o novo tripé do varejo competitivo
O varejo global atravessa um momento de redefinição estrutural, consolidado pelas diretrizes apresentadas na NRF Big Show 2026. Sob o tema central “The Next Now” - O Próximo Agora - , o evento reforça que agilidade já não é um diferencial competitivo - tornou-se um imperativo de sobrevivência.
Esse cenário exige que as organizações superem a fase de experimentação e avancem para uma execução prática e integrada, na qual Inteligência Artificial (IA), sustentabilidade e resiliência operacional convergem para atender um consumidor cada vez mais exigente, informado e consciente.
A era da Inteligência Artificial em tempo real — mas nos bastidores
A IA - Inteligência Artificial - evoluiu de promessa conceitual para uma ferramenta de execução prática, presente em toda a jornada de compra. No Brasil, o lançamento do AI Commerce pelo Magazine Luiza, integrando a influenciadora virtual Lu ao WhatsApp com capacidades cognitivas avançadas, exemplifica bem essa transição.
Nos Estados Unidos, a jornada do consumidor já é moldada por sistemas autônomos que operam de forma quase invisível: personalizam recomendações, facilitam transações em múltiplos dispositivos e reduzem fricções em etapas que antes eram manuais.
Mais do que melhorar a interface com o cliente, a IA atua “no backstage”: antecipa demanda, refina decisões de sortimento e transforma dados brutos em decisões estratégicas quase instantâneas — com impacto direto em eficiência e margem.
A nova tendência para os supermercados
A sustentabilidade consolidou-se como componente estrutural das estratégias de negócio, deixando para trás o papel de iniciativa isolada de marketing. Empresas como a Natura, reconhecida globalmente por sua liderança em práticas ESG, Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança - e mantendo sua neutralidade de carbono desde 2007, seguem como referência.
No varejo alimentar norte-americano, a expansão de redes como o Whole Foods Market (Amazon) e, especialmente, o novo formato Whole Foods Daily Shop mostram como a curadoria de orgânicos, embalagens sustentáveis e propostas orientadas a bem-estar respondem a uma demanda crescente por transparência e escolhas mais conscientes.
Tive a oportunidade de visitar a primeira unidade desse formato em janeiro de 2025 e é notável como ele se tornou um dos assuntos mais comentados neste ano. O modelo aposta em conveniência urbana sem abrir mão de qualidade, com seleção rigorosa de itens essenciais e refeições prontas em espaços otimizados.
“O consumidor de 2026 prioriza marcas cujos valores sociais e ambientais estejam explicitamente alinhados aos seus.” E o sucesso desse formato compacto comprova que sustentabilidade e praticidade podem - e devem - caminhar juntas.
Resiliência e agilidade na cadeia de suprimentos
As instabilidades geopolíticas e econômicas dos últimos anos ampliaram a necessidade de cadeias de suprimentos mais resilientes, previsíveis e responsivas.
No Brasil, o Mercado Livre ilustra esse movimento ao estabelecer a meta de atingir 21 centros de distribuição no país até o final de 2025, acelerando entregas e ampliando a capilaridade logística.
Nos EUA, a coordenação logística já é amplamente gerida por algoritmos de IA, capazes de minimizar riscos e otimizar o fluxo de mercadorias com precisão. Essa abordagem traduz, na prática, a visão de vanguarda sobre a aplicação de inteligência artificial no varejo: tecnologia como motor de previsibilidade, eficiência e continuidade operacional.
A nova jornada do consumidor
A distinção entre varejo físico e digital tornou-se obsoleta. O foco agora está em “experiências fluidas e integradas” como observado na Lojas Renner, que registra crescimento consistente em seu faturamento omnicanal.
Nos Estados Unidos, o comportamento híbrido já é norma. Serviços de retirada - click-and-collect - e compras via transmissões ao vivo - live commerce - reforçam que conveniência virou o principal vetor de escolha.
No varejo alimentar, gigantes como Walmart e Amazon vêm adaptando suas operações com lojas físicas atuando como hubs logísticos (especialmente para perecíveis) e modelos de assinatura como estratégia de recorrência e fidelização.
Mais gente, menos digital
Apesar do avanço tecnológico, a NRF Big Show 2026 reforçou um ponto essencial: o capital humano permanece como diferencial insubstituível na entrega de experiências memoráveis.
Com automação e IA assumindo tarefas operacionais e repetitivas, o papel das equipes migra para funções de maior valor: consultoria, atendimento especializado, curadoria e resolução de problemas.
“A tecnologia deve servir como facilitadora para que as equipes foquem no que é essencialmente humano”: empatia, criatividade e julgamento em situações complexas - garantindo que a inovação digital não enfraqueça a conexão emocional com o consumidor.
Exemplos do mercado brasileiro
O cenário brasileiro em 2026 já apresenta casos emblemáticos de adaptação e inovação:
· Grupo Pão de Açúcar: intensifica sua estratégia omnicanal com personalização baseada em análise de dados.
· Carrefour: expande modalidades de “clique e retire” e entregas ultrarrápidas para responder à demanda por agilidade.
· Mateus, Assaí e Atacadão: consolidam operações de cash & carry, com foco em eficiência de custos, preços agressivos e compras em volume.
· Redes regionais Hortifruti Oba e Coop: destacam-se pelo investimento em sustentabilidade, ampliação do sortimento de orgânicos e políticas mais rígidas de redução de desperdício.
No suporte operacional, empresas como a Neogrid contribuem para sincronizar a cadeia de suprimentos, enquanto a Infomarket apoia o monitoramento de preços e a construção de um mix mais eficiente, aproximando a teoria da IA da prática cotidiana do varejo nacional.
Próximas tendências
O varejo supermercadista brasileiro chega a uma encruzilhada estratégica. O estudo “Top Five Consumer Trends Set to Reshape Retail in 2026”, da Capgemini, aponta que os consumidores — especialmente os mais jovens — valorizam “momentos sobre mercadorias”, priorizando a experiência em detrimento do produto isolado.
Nesse contexto, as marcas próprias ganham ainda mais relevância, apoiadas por IA para oferecer personalização e respostas rápidas às mudanças de comportamento.
Outro movimento decisivo é o avanço do varejo “sem busca”, em que o produto encontra o cliente por meio de IA generativa e ecossistemas conversacionais. A jornada de compra se torna mais fluida e intuitiva, com assistentes digitais atuando como companheiros autônomos, simplificando escolha e transação.
As lições da NRF Big Show 2026 mostram que o futuro do varejo não está em uma tecnologia isolada, “mas na integração harmônica entre inteligência de dados, eficiência logística e responsabilidade socioambiental”.
Para o setor supermercadista brasileiro, sobrevivência e longevidade dependerão da capacidade de transformar inovação em valor real para o cliente, “mantendo o propósito humano no centro da estratégia digital”.
“O Próximo Agora” já é realidade. E as empresas que prosperarão serão aquelas capazes de equilibrar agilidade tecnológica com autenticidade de valores.
Fique bem e até o próximo artigo!
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