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Tendências que fidelizam o seu cliente: o futuro do varejo alimentar brasileiro

  • Writer: Clilson Filippetti
    Clilson Filippetti
  • 5 days ago
  • 5 min read

No dinâmico setor supermercadista brasileiro, a construção de relações de longo prazo com o cliente transcende as transações isoladas, posicionando-se como um pilar estratégico fundamental para a sustentabilidade dos negócios. O varejo alimentar enfrenta desafios complexos, como a baixa lealdade dos consumidores –  com menos de 5% sendo considerados "super leais" no Brasil.


Somado a isso, a ascensão da conveniência e da IA (Inteligência Artificial Generativa) redefine o mercado, permitindo que redes regionais se destaquem ao criar laços emocionais autênticos, muitas vezes superando gigantes do setor por meio de experiências personalizadas.


Ano passado, em dezembro 2025, escrevi para a Mercattoria o artigo “A Revolução da Praticidade: como o setor supermercadista deverá liderar na era do pronto”, e vejo que faz total conexão com o tema.


Já neste artigo, explorarei as práticas que fomentam a lealdade duradoura e como a integração entre a eficiência operacional e o toque humano podem transformar o supermercado em um destino de preferência do consumidor, com ênfase no mercado nacional e insights atualizadíssimos apresentados na NRF 2026.


O "básico bem feito" como fundamento da lealdade


O conceito de "básico bem feito" refere-se a uma loja organizada, sempre bem abastecida e equipada com serviços que facilitam a vida do cliente. Essa abordagem, embora simples, é essencial para construir confiança ao garantir que o supermercado seja uma extensão natural da rotina familiar, reduzindo frustrações como rupturas de estoque ou corredores desorganizados.


A base da confiança reside na execução impecável do operacional: estoque disponível, controle rigoroso de validade e sistemas integrados. Dados globais indicam que cerca de 70% da percepção de valor do cliente provém da consistência básica.


No Brasil, redes como a Casa Santa Luzia (São Paulo) e o Festval (Curitiba) exemplificam essa excelência. Enquanto a primeira foca em um mix exclusivo e frescor absoluto de perecíveis, a Festval, investe em layouts intuitivos e limpeza impecável, resultando em taxas de fidelidade superiores a 60% em seus programas de relacionamento.

 

Atendimento humanizado: o coração das conexões emocionais


O atendimento humanizado prioriza as pessoas, partindo da premissa de que relacionamentos genuínos surgem quando o cliente é colocado no centro das decisões com empatia.


No varejo, isso se traduz em colaboradores treinados para reconhecer clientes habituais, oferecer sugestões baseadas no histórico de compras e resolver problemas com agilidade e calor humano – prática conhecida como "quiet selling".


Embora 76% dos consumidores priorizem a conveniência, impressionantes 86% valorizam o atendimento que supre necessidades emocionais. O Grupo St Marche, em São Paulo, e o Supermercado Zona Sul, no Rio de Janeiro, ilustram o sucesso dessa estratégia. O St Marche utiliza o programa Marche Prime para oferecer benefícios em produtos favoritos escolhidos pelo próprio cliente, fomentando uma sensação de intimidade que eleva a fidelização.


A NRF 2026 reforçou que conexões autênticas, adaptadas ao ambiente “phygital”, superam ofertas genéricas ao gerar empatia digital.

 

IA como coadjuvante no back-office: eficiência invisível


A Inteligência Artificial aumenta a produtividade em cerca de 30%, mas deve atuar "atrás das cortinas", permitindo que as pessoas foquem na construção de relações.


No Brasil, a IA preditiva já é utilizada para gerenciar estoques e prevenir rupturas, como implementado pelo Grupo Carrefour Brasil em sua seção de frutas, legumes e verduras (FLV), reduzindo perdas e garantindo disponibilidade constante.


Redes como o Savegnago, no interior de São Paulo, utilizam IA tanto na gestão de estoque quanto no RH, agilizando processos de recrutamento sem perder a essência humana.


A NRF 2026 enfatizou a era "agentic" da IA, onde programas de lealdade se integram a dados comportamentais para recomendações precisas, elevando o lifetime value do cliente sem substituir o toque humano indispensável.

 

ESG como diferencial competitivo e social


Os critérios ESG – Environmental, Social, and Governance – posicionam o supermercado como um agente de impacto positivo na comunidade. No pilar social, iniciativas de doação de alimentos combatem a fome e geram gratidão comunitária. Ambientalmente, a logística eficiente e a reciclagem de embalagens alinham-se às expectativas de 78% dos consumidores que preferem marcas sustentáveis.

 

O Grupo Pão de Açúcar é um exemplo de vanguarda ao integrar ESG a seus aplicativos de fidelidade, oferecendo benefícios por engajamento sustentável, como a reciclagem de materiais. Essa prática transforma o cliente em um advogado da marca, elevando a percepção de valor ético.

 

Comparativo de estratégias em redes brasileiras


A relação abaixo ilustra como as principais redes estão implementando essas tendências para elevar a retenção de clientes:


Casa Santa Luzia ( SP ): Mix exclusivo, foco em perecíveis premium e básico bem feito/slow retail;

 

Rede Oba Hortifruti ( SP ): Foco em saudabilidade, itens prontos para consumo e praticidade;

 

Festval ( PR ): Experiência de loja acolhedora, programa Sou Festval e atendimento humanizado;

 

St Marche ( SP ): Personalização via Marche Prime, promove eventos exclusivos como degustação de queijos & vinhos e personalização ;

 

Supermercados Zona Sul ( RJ ):  CRM avançado com foco na cultura local carioca, fidelidade emocional e em algumas lojas servem café da manhã e pizzas a noite. Tudo de excelente qualidade;

 

Savegnago ( SP ): IA no RH, gestão preditiva de estoque, adota o conceito de eficiência invisível;

 

Carrefour Brasil: IA para redução de desperdício em perecíveis, ESG e eficiência operacional;

 

Pão de Açúcar: Fidelidade recompensada por ações sustentáveis e ESG como diferencial.

 

Estratégias práticas e a loja como ponto de encontro


Para operacionalizar essas práticas, os supermercados devem capacitar suas equipes com treinamentos em empatia e uso de ferramentas de CRM. A transformação da loja em um terceiro lugar – um ponto de encontro e convivência – é uma tendência crescente.


Exemplos como o Empório Santa Maria e a Rede Oba, ambas em São Paulo, personificam o “slow retail”, onde o cliente é convidado a desacelerar e desfrutar da experiência de compra.


Além disso, a Revolução da Praticidade exige foco em itens made in store: refeições prontas e sistemas de self-checkout sem fricção. Formatos compactos que integram o digital via click & collect priorizam fornecedores regionais e garantem agilidade e frescor.


Em suma, o sucesso do varejo supermercadista em 2026 reside no equilíbrio delicado entre a alta tecnologia e o toque humano profundo. A Inteligência Artificial e os dados fornecem a infraestrutura para a eficiência e a personalização, mas são a empatia, a consistência do básico bem feito e o compromisso genuíno com causas sociais e ambientais que realmente conquistam o coração do consumidor brasileiro.


As redes que conseguirem transformar o ato rotineiro da compra em uma experiência de acolhimento e valor ético não apenas sobreviverão à concorrência das gigantes globais, mas prosperarão como pilares fundamentais de suas comunidades.

 

Fique bem e até o próximo artigo!

 
 
 

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