A EFICIÊNCIA OCULTA: O LUCRO QUE ESTÁ DENTRO DA OPERAÇÃO
- Clilson Filippetti

- 6 days ago
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No varejo alimentar, crescer faturamento é importante, mas proteger o que já foi vendido pode ser ainda mais decisivo. É nesse ponto que a “prevenção de perdas” deixa de ser uma atividade restrita à auditoria ou à segurança patrimonial e passa a ocupar o centro da gestão.
Segundo dados da ABRAS, em 2025 as perdas no varejo alimentar concentram-se fortemente nos produtos perecíveis devido à complexidade de manipulação e conservação, são eles: Flores com 6,67%, FLV (Frutas, Legumes e Verduras) com 4,73%, Padaria e Confeitaria com 4,62% , Rotisseria com 3,66% e Perecíveis industrializados com1,63%, porem, mais de 20% das perdas são por “desvios operacionais” como furtos internos e externos, erros, etc. O resultado não desaparece de uma só vez: ele é corroído silenciosamente, produto após produto, ruptura após ruptura e erro operacional após erro operacional.
A mesma pesquisa registrou índice de “ineficiência operacional” de 1,87%, considerando alavancas como quebra operacional, desvios, gestão de estoques, processos e gestão de riscos. Em um negócio de margens pressionadas, esse percentual pode representar uma parcela relevante do lucro e, principalmente, uma oportunidade concreta de recuperação.
A questão estratégica, portanto, não é apenas “quanto estamos perdendo”, mas “em que etapa da operação a perda está sendo criada”.
Na prática, a resposta exige transformar a prevenção de perdas em pauta semanal. O ritual deve reunir os gestores de loja, compras, logística, comercial, indústria e controladoria para analisar indicadores como divergência entre estoque físico e sistêmico, validade, avarias, rupturas, devoluções, descontos fora da política e desempenho por categoria. O objetivo não é procurar culpados, mas identificar causas, definir responsáveis e acompanhar a eficácia das ações corretivas.
Essa visão conversa diretamente com experiências do próprio mercado. Em projetos que desenvolvi ligados as indústrias de alimentos, a estruturação de canais, S&OP e distribuição no varejo mostra que disponibilidade e eficiência não são temas separados: uma falha de planejamento pode gerar excesso, vencimento ou ruptura. Da mesma forma, a experiência em lançamento de produto como sendo a “segunda marca” evidencia como uma arquitetura de portfólio para proteger a marca principal de ofertas predatórias e atender nichos específicos, preservando margem e relevância no ponto de venda.
Reforço constantemente nas minhas consultorias e palestras, a importância de abandonar a cultura exclusivamente orientada ao “sell-in”. O produto faturado para o canal não representa resultado se não tiver giro saudável, execução adequada e venda ao consumidor. A mudança para uma gestão de “sell-out”, apoiada por trade marketing, dados e acompanhamento da última milha, permite enxergar perdas que antes ficavam diluídas entre estoque, distribuição e loja.
O varejo mudou abruptamente da publicidade impressa dos anos 1980 à digitalização, à inteligência artificial e ao Retail Media , entretanto, nenhuma tecnologia substitui processos disciplinados, inventário confiável e equipes capacitadas. A eficiência oculta está justamente nessa combinação: medir melhor, agir mais cedo e integrar decisões. “Essas dicas servem tanto para o varejo como para as indústrias, pois a conta chegará para ambos”.
Portanto, a prevenção de perdas não é somente reduzir furtos ou contabilizar quebras; “é administrar toda a cadeia que transforma estoque em margem”. O profissionalismo está em fazer desse tema uma agenda recorrente, transversal e orientada por dados.
Muitas vezes, o lucro procurado no crescimento já está dentro da loja, do centro de distribuição ou na indústria esperando apenas que a operação revele onde ele está sendo perdido.
Fique bem e até o próximo artigo.




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