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Sell-through, OTIF e indicadores de parceria

  • Writer: Clilson Filippetti
    Clilson Filippetti
  • 3 hours ago
  • 7 min read

A linguagem de dados na relação indústria-varejo


No dinâmico e interconectado cenário da cadeia de suprimentos, a relação entre indústria e varejo transcende a simples transação comercial. Ela se configura como uma parceria estratégica, onde a saúde e a eficácia dessa colaboração são cruciais para o sucesso de ambos os elos. Para que essa parceria floresça, é imperativo que as decisões sejam pautadas em dados concretos, em uma "linguagem" comum que elimine subjetividades e promova o alinhamento.


É nesse contexto que KPIs (Key Performance Indicators) como Sell-through, OTIF (On-Time, In-Full) e outros Indicadores de Parceria ganham protagonismo. Eles não são meros números, mas sim termômetros que medem a performance, identificam gargalos e apontam caminhos para a otimização contínua.


Neste artigo aprofundarei a discussão sobre esses indicadores essenciais, explorando como a disponibilidade de gôndola, o stock turn (rotatividade de inventário) e o NPS (mede o grau de satisfação e a lealdade) operacional se integram para formar uma visão 360 graus da saúde da relação indústria-varejo.


Demonstraremos como a utilização estratégica desses dados permite negociações mais eficazes, a priorização inteligente de ações e o reforço dos compromissos estabelecidos em um Joint Business Plan (JBP). Adicionalmente, destacaremos o papel fundamental de consultorias especializadas, a CL Consultoria Comercial pode ser um facilitador dessa "linguagem de dados", transformando informações em insights acionáveis e fortalecendo a colaboração para um crescimento mútuo e sustentável.


A essência dos indicadores de parceria: Além do básico 

                                          

Tradicionalmente, a indústria e o varejo focavam em métricas individuais, muitas vezes desconsiderando o impacto de suas ações no parceiro. No entanto, a complexidade do mercado atual exige uma visão holística, onde o sucesso de um está intrinsecamente ligado ao sucesso do outro.


Os Indicadores de Parceria surgem como a ponte entre esses dois mundos, fornecendo uma base objetiva para a avaliação e aprimoramento contínuo da colaboração. Eles vão além dos KPIs de vendas tradicionais, mergulhando na eficiência operacional, na satisfação do cliente final e na otimização da cadeia de valor. A adoção desses indicadores reflete uma maturidade na relação, onde a confiança é construída sobre a transparência dos dados e o compromisso com resultados compartilhados.


Ao invés de discussões baseadas em percepções, a "linguagem de dados" permite que as partes identifiquem problemas, proponham soluções e meçam o impacto de suas ações de forma inequívoca. Essa abordagem colaborativa é fundamental para superar desafios como rupturas de estoque, excesso de produtos parados e desalinhamento de estratégias promocionais, que impactam negativamente a rentabilidade de ambos os lados e, em última instância, a experiência do consumidor.


Sell-through: O Pulso da demanda real


Sell-through (%) =  (Quantidade Vendida / Estoque Inicial ) x 100      

                   

O indicador  sell-through é um dos mais cruciais para a indústria e o varejo, pois mede a porcentagem de produtos vendidos ao consumidor final em relação ao total de produtos recebidos pelo varejista em um determinado período.


Em termos simples, ele revela a velocidade com que o produto sai da gôndola e chega às mãos do cliente. Um alto sell-through indica que o produto está em alta demanda e que as estratégias de sell-in e sell-out estão alinhadas. Por outro lado, um baixo sell-through pode sinalizar problemas como excesso de estoque, precificação inadequada, falta de visibilidade na gôndola ou baixa atratividade do produto para o consumidor.


Para a indústria, o sell-through é um termômetro da aceitação do seu produto no mercado e da eficácia de suas campanhas de marketing e trade. Para o varejo, ele é vital para a gestão de estoque, a otimização do espaço de prateleira e a identificação de produtos que precisam de maior giro. A análise conjunta do sell-through permite que indústria e varejo ajustem seus planos de produção, pedidos e promoções de forma proativa, evitando perdas por obsolescência ou rupturas de estoque que resultam em vendas perdidas. Ao monitorar este KPI, é possível identificar tendências de consumo, reagir rapidamente a mudanças no mercado e garantir que o sortimento oferecido esteja sempre alinhado com as expectativas dos clientes.


OTIF: A eficiência da entrega e o impacto no PDV


OTIF (On-Time, In-Full) é um indicador logístico que avalia a performance da entrega da indústria para o varejo, medindo se os pedidos foram entregues no prazo e na quantidade exata solicitada.


Ele é composto por duas dimensões: "On-Time" (no prazo) e "In-Full" (completo). Um alto índice de OTIF é sinônimo de eficiência logística e confiabilidade, fatores que impactam diretamente a disponibilidade de produtos na gôndola e, consequentemente, o sell-out.


Atrasos na entrega ou entregas incompletas geram uma série de problemas para o varejo, como rupturas de estoque, perda de vendas, insatisfação do cliente e custos adicionais com gestão de exceções.


Para a indústria, um baixo OTIF pode resultar em penalidades contratuais, perda de credibilidade e enfraquecimento da parceria. A colaboração na gestão do OTIF envolve o compartilhamento de informações sobre a previsão de demanda, a capacidade de produção e os prazos de entrega, permitindo que ambas as partes otimizem seus processos logísticos.


A melhoria contínua do OTIF não apenas reduz custos operacionais, mas também fortalece a confiança entre indústria e varejo, garantindo que os produtos estejam disponíveis para o consumidor no momento e local certos. Este KPI é um pilar fundamental para a construção de uma cadeia de suprimentos resiliente e responsiva às demandas do mercado.


Outros indicadores cruciais: Disponibilidade de gôndola, Stock Turn e NPS Operacional


Além do sell-through e do OTIF, outros indicadores desempenham um papel vital na avaliação da saúde da parceria indústria-varejo:

 

• Disponibilidade de gôndola: Este KPI mede a porcentagem de produtos que estão efetivamente disponíveis para compra na prateleira, em relação ao sortimento planejado. Rupturas na gôndola são um dos maiores inimigos do sell-out, resultando em vendas perdidas e frustração do cliente. A indústria e o varejo devem colaborar para garantir a reposição eficiente, otimizar o espaço de prateleira e implementar estratégias de trade marketing que maximizem a visibilidade do produto. Acompanhar a disponibilidade de gôndola permite identificar problemas de abastecimento, execução no PDV ou mesmo falhas na previsão de demanda .


• Stock Turn (Giro de Estoque): O stock turn indica quantas vezes o estoque médio de um produto é vendido e reposto em um determinado período. Um alto giro de estoque é desejável, pois significa que o capital investido em produtos está sendo rapidamente convertido em vendas, otimizando a rentabilidade e reduzindo os custos de armazenagem. Para a indústria, um bom stock turn no varejo significa maior volume de pedidos. Para o varejo, é sinônimo de eficiência na gestão de estoque e menor risco de obsolescência. A análise conjunta desse indicador permite otimizar os níveis de estoque, evitando excessos ou faltas e garantindo a fluidez da cadeia de suprimentos.


• NPS Operacional (Net Promoter Score Operacional): Adaptando o conceito do NPS tradicional, o NPS Operacional mede a satisfação do varejista com os aspectos operacionais da parceria com a indústria, como a qualidade da entrega, o suporte da equipe de vendas, a facilidade de comunicação e a resolução de problemas. Ele fornece insights valiosos sobre a qualidade da experiência do parceiro, identificando pontos fortes e áreas que necessitam de melhoria. Um alto NPS Operacional indica uma parceria saudável e colaborativa, enquanto um baixo NPS Operacional pode sinalizar atritos que precisam ser endereçados para evitar o enfraquecimento da relação.


A consultoria como facilitadora da "linguagem de dados"


A coleta e análise desses indicadores podem ser complexas, exigindo ferramentas, metodologias e, acima de tudo, uma cultura organizacional que valorize a tomada de decisão baseada em dados. É nesse ponto que a consultoria especializada se posiciona como uma facilitadora indispensável da "linguagem de dados" entre indústria e varejo.


Consultores experientes trazem a expertise para:

1 Diagnosticar e Implementar: Avaliar os processos existentes, identificar os KPIs mais relevantes para cada parceria e implementar sistemas de coleta e análise de dados, como dashboards de Business Intelligence (BI).

2 Interpretar e Traduzir: Transformar dados brutos em insights acionáveis, traduzindo a complexidade dos números em uma linguagem clara e compreensível para ambas as partes. Isso facilita a negociação, a priorização de ações e o alinhamento estratégico.

3  Capacitar Equipes: Treinar as equipes da indústria e do varejo para utilizar os indicadores de forma eficaz, promovendo uma cultura de análise de dados e tomada de decisão colaborativa.

4  Reforçar o JBP: Integrar a análise desses KPIs aos rituais de acompanhamento do Joint Business Plan, garantindo que o plano seja um documento vivo, constantemente ajustado com base na performance real do mercado.


Ao atuar como um parceiro neutro e especializado, a consultoria CL Consultoria Comercial, poderá ajudar a construir pontes entre os departamentos, a superar resistências e a garantir que a "linguagem de dados" se torne a base para uma parceria mais transparente, eficiente e lucrativa.


A consultoria não apenas fornece as ferramentas, mas também o conhecimento e a metodologia para que indústria e varejo possam negociar melhor, priorizar ações e, em última instância, impulsionar o sell-out de forma sustentável.


No cenário atual, a saúde da relação indústria-varejo é medida pela capacidade de ambas as partes de falar a mesma "linguagem de dados". Indicadores como sell-through, OTIF, disponibilidade de gôndola, stock turn e NPS Operacional são mais do que métricas; são ferramentas poderosas que, quando utilizadas de forma colaborativa, transformam a parceria em um motor de crescimento e eficiência. Eles permitem que as empresas negociem com base em fatos, priorizem ações com maior impacto e reforcem os compromissos de um JBP, garantindo que a estratégia se traduza em resultados concretos no ponto de venda.


A consultoria especializada desempenha um papel crucial nesse processo, atuando como facilitadora para que a indústria e o varejo possam não apenas coletar dados, mas interpretá-los e utilizá-los para construir uma relação mais transparente, produtiva e rentável.


A maestria na "linguagem de dados" é o que diferencia as parcerias de sucesso, impulsionando o sell-out e garantindo a sustentabilidade e a competitividade em um mercado em constante evolução.


Fique bem e até o próximo artigo onde abordarei o  tema: “JVC: A Nova Fronteira da Cocriação de Valor entre Indústria e Varejo”


 
 
 

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