Marcas próprias e o poder do básico bem feito
- Clilson Filippetti

- May 11
- 3 min read

No cenário competitivo do varejo moderno, a busca por diferenciação e inovação é constante. Contudo, o sucesso sustentável muitas vezes reside na excelência do "básico bem feito", um princípio que prioriza a eficiência operacional, a simplicidade e a entrega de valor consistente ao consumidor. Esse conceito, globalmente exemplificado por redes como a ALDI, com mais de 12000 lojas na Europa e Estados Unidos, com sua operação enxuta e foco em marcas próprias oferece preços competitivos e satisfaz seus clientes, encontra eco e novas interpretações no dinâmico mercado brasileiro.
Marcas próprias no Brasil: Do custo-benefício ao premium
O mercado de marcas próprias (MPs) no Brasil está em plena ascensão, transformando-se de uma alternativa de baixo custo em um pilar estratégico de valor e inovação. Em 2025, 58% dos consumidores brasileiros planejavam aumentar suas compras de produtos de marca própria em 2026, impulsionando um crescimento médio anual de 9,2% no setor. Os dados mencionados sobre a intenção de compra de marcas próprias no Brasil foram divulgados pela NielsenIQ e apresentados no SIMP 2025 (evento da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização - ABMAPRO), em dezembro de 2025.
Essa evolução reflete uma mudança na percepção do consumidor, que agora associa as MPs à qualidade e à confiança, além do preço.
Essa tendência se manifesta em diferentes segmentos do varejo, desde o atacarejo até os supermercados premium, demonstrando a versatilidade e o potencial das marcas próprias como diferencial competitivo.
Exemplos nacionais e americanos de excelência e marcas próprias
O varejo brasileiro e o americano oferece exemplos claros de como a estratégia do "básico bem feito" e o investimento em marcas próprias são aplicados com sucesso:
• ALDI (EUA)
Mantendo a essência do artigo original, a ALDI continua sendo um case global de sucesso. Com mais de 90% de seu mix composto por marcas exclusivas, a rede foca em uma operação simples, com caixas-display, incentivo ao uso de sacolas reutilizáveis e um sistema de moedas para carrinhos, garantindo eficiência e preços acessíveis. A aquisição do Trader Joe's, com seu foco em produtos diferenciados, complementa a estratégia do grupo.
• Assaí Atacadista (Brasil)
O Assaí, gigante do atacarejo, está expandindo sua atuação no segmento de marcas próprias. Em novembro de 2025, a rede anunciou o lançamento de sua marca própria homônima, "Assaí", prevista para o primeiro trimestre de 2026. A estratégia é oferecer produtos com qualidade comparável ao das marcas líderes, mas com preços até 20% mais baixos, visando o consumidor final. Além disso, a rede já possui a marca "Chef", voltada para transformadores e food service. O investimento em MPs é uma frente de crescimento crucial para 2026, complementando a expansão física.
• Grupo Zaffari (Brasil)
A tradicional rede gaúcha Zaffari e Bourbon exemplifica o sucesso das marcas próprias com um posicionamento premium. Diferentemente do foco no low price, as marcas próprias do Zaffari são desenvolvidas para oferecer alta qualidade, curadoria e exclusividade, muitas vezes superando a percepção de valor de marcas líderes em categorias específicas. Esse modelo demonstra que o "básico bem feito" pode significar excelência e valor agregado, e não apenas economia, fidelizando clientes que buscam produtos diferenciados.
Lições para a liderança no varejo
Para se destacar, os varejistas devem:
1 Otimizar a operação: A simplicidade e a eficiência são a base da competitividade. Isso envolve desde a gestão da cadeia de suprimentos até a experiência no ponto de venda, minimizando perdas e maximizando a produtividade.
2 Estratégia de marcas próprias: Desenvolver e investir em marcas próprias, seja para oferecer custo-benefício no atacarejo ou produtos premium em supermercados, é fundamental para fortalecer a identidade da rede, aumentar as margens e fidelizar o cliente.
3 Foco na experiência essencial: Uma experiência de compra descomplicada, com checkout ágil, lojas organizadas e comunicação clara, é valorizada pelo consumidor e reforça a percepção de um "básico bem feito".
4 Sustentabilidade integrada: Práticas sustentáveis não são apenas um diferencial, mas também um componente da eficiência operacional e da responsabilidade social, ressoando com as expectativas dos consumidores modernos.
O básico como vantagem competitiva duradoura
Em um mercado que valoriza cada vez mais a autenticidade e a eficiência, o "básico bem feito" transcende a mera execução de tarefas; ele se torna uma filosofia estratégica. Ao dominar os fundamentos da operação e ao desenvolver marcas próprias alinhadas às expectativas de diferentes perfis de consumidores, o varejo brasileiro pode construir uma vantagem competitiva robusta e duradoura. A maestria do essencial é o caminho para o sucesso no varejo do futuro.
Fique bem e até o próximo artigo.
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